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Correios reconhecem 'ciclo vicioso de prejuízos' em documento interno

Relatório interno da estatal aponta perda de clientes, queda de receitas e previsão de déficit de até R$ 9,1 bilhões em 2026

Entrega dos Correios (Foto: Divulgação)

247 - Os Correios reconheceram que enfrentam um processo contínuo de deterioração financeira, marcado pela perda de clientes, queda de receitas e dificuldades operacionais, segundo documento interno obtido pelo G1. A análise aponta que o agravamento da performance operacional foi determinante para a sequência de prejuízos registrada nos últimos trimestres, evidenciando um cenário de fragilidade estrutural.

De acordo com o relatório, a piora na qualidade dos serviços desencadeou um efeito em cadeia sobre as finanças da estatal. A diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo afirmou que “formou-se, assim, um ciclo vicioso de perda de clientes e receitas, decorrente da baixa qualidade operacional, que reduziu progressivamente a geração de caixa necessária para regularizar as obrigações dos Correios”. Ela acrescentou que “as negociações com grandes clientes — responsáveis por mais de 50% da receita de vendas — tornaram-se cada vez mais sensíveis, comprometendo acordos e frustrando expectativas de resultado”.

O documento destaca ainda que o problema vai além de um desequilíbrio pontual. “Não se trata apenas de um problema financeiro momentâneo. É um sinal de que o modelo atual opera entre no limite entre obrigação legal, pressão competitiva e capacidade real de geração de valor”, registra o texto.

Os dados financeiros reforçam o diagnóstico. Entre janeiro e setembro de 2025, a empresa teve redução de R$ 3,23 bilhões nas entradas de caixa, o que representa queda de 17,6% em comparação ao mesmo período de 2024. Nos nove primeiros meses de 2025, as entradas somaram R$ 16,94 bilhões, ante R$ 18,37 bilhões no ano anterior. Já as saídas totalizaram R$ 16,68 bilhões, abaixo dos R$ 20,65 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2024, conforme detalha o relatório.

No campo das projeções, a diretoria revisou a estimativa de resultado para 2025. A expectativa atual é encerrar o ano com prejuízo de R$ 5,8 bilhões, valor inferior ao déficit acumulado até setembro, que era de R$ 6 bilhões. Para 2026, entretanto, a previsão indica agravamento das perdas, com rombo estimado em R$ 9,1 bilhões.

O documento conclui que, “executando o pagamento de todas as obrigações (despesas correntes) incluídas no Programa vigente de Dispêndios Globais, havia a projeção de déficit na ordem de R$ 7,9 bilhões em dezembro de 2025, posteriormente reajustada para R$ 5,8 bilhões; e déficit de R$ 9,1 bilhões em dezembro de 2026”, sinalizando que o desafio financeiro da estatal tende a se intensificar no próximo ano.

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