Miriam Leitão prevê que bons números na economia colocam Lula como favorito em 2026
Inflação controlada, juros em queda e desemprego baixo fortalecem presidente, enquanto direita enfrenta dificuldades para unificar candidatura competitiva
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desponta como favorito na corrida eleitoral de 2026 diante de um cenário econômico considerado positivo. A combinação de inflação sob controle, redução gradual dos juros, dólar enfraquecido, crescimento superior ao registrado no governo anterior, desemprego em baixa e melhora da renda compõe um ambiente que tende a beneficiar quem está no exercício do cargo
A avaliação é da jornalista Miriam Leitão, em análise publicada no jornal O Globo, na qual afirma que o contexto atual favorece o presidente e ressalta que disputas eleitorais historicamente beneficiam o incumbente. Segundo o levantamento citado, nas quatro eleições em que o ocupante do Planalto buscou permanecer no cargo, apenas Jair Bolsonaro não conseguiu se reeleger.
Embora pesquisas indiquem que Flávio Bolsonaro herda parcela relevante do capital político do pai, o texto sustenta que ele não demonstrou a mesma capacidade de mobilização nem conseguiu unificar a direita. Tanto Lula quanto o principal nome associado ao bolsonarismo apresentam índices elevados de rejeição, mas a análise pondera que esse indicador tende a se alterar ao longo da campanha, quando candidatos reforçam realizações e reativam a memória positiva do eleitorado.
No caso de Lula, a jornalista aponta que há um legado expressivo a ser explorado, incluindo períodos de crescimento econômico, ascensão social e inserção internacional do Brasil. Já a marca “Bolsonaro” estaria associada a lembranças negativas da condução da pandemia, marcada por declarações do então presidente como “eu não sou coveiro”, “chega de mimimi” e “vai ficar chorando até quando?”, que ficaram registradas no debate público.
A análise também aborda o argumento de parte do mercado financeiro de que um candidato da direita teria maior capacidade de reduzir o déficit público. Segundo o texto, essa percepção não se apoia em evidências concretas. A promessa de um “tesouraço” fiscal, mencionada em artigo do Brazil Journal, não teria sido acompanhada de medidas detalhadas que sustentem o compromisso.
Ao examinar o desempenho econômico do governo Bolsonaro, Miriam Leitão afirma que a gestão não apresentou resultados satisfatórios nem sob critérios liberais. O texto cita ampliação de gastos no ano eleitoral, não pagamento de precatórios, quatro intervenções na Petrobras e a privatização da Eletrobras como único grande processo concluído — estruturado ainda no governo Michel Temer. Também menciona a redução de impostos sobre combustíveis como medida para conter artificialmente a inflação no curto prazo.
Em relação às contas públicas, a análise sustenta que o déficit primário é menor no atual governo do que nos períodos de Temer e Bolsonaro, mas reconhece que o tema é de difícil comunicação no debate eleitoral. Em contraste, o prejuízo dos Correios aparece como argumento mais visível contra o PT. O texto reconhece que o rombo da estatal aumentou e tende a ser explorado politicamente.
A jornalista também menciona a situação da Emgepron, estatal vinculada à Marinha, que registrou superávit no governo anterior e déficit na atual gestão. Segundo a análise, o resultado decorre de um efeito estatístico: Bolsonaro aportou R$ 10 bilhões do Tesouro na empresa, o que inflou o resultado. Nos anos seguintes, a estatal passou a utilizar os recursos em investimentos previstos, passando a registrar déficit contábil sem que isso significasse prejuízo operacional.
Economistas que não se alinham à polarização política, conforme o texto, reconhecem avanços do atual governo, mas defendem que Lula assuma o compromisso de promover ajuste fiscal no início de um eventual novo mandato. As despesas obrigatórias, impulsionadas também pelos aumentos reais do salário mínimo — que impactam benefícios previdenciários —, têm crescido acima dos limites do arcabouço fiscal, o que exigiria medidas estruturais.
No campo da oposição, o bolsonarismo deve reiterar promessas feitas anteriormente, enquanto uma ala da direita organizada em torno de nomes do PSD tenta se consolidar. A queda de Ratinho Júnior em pesquisa Quaest é atribuída ao fato de ele ainda não ser candidato formal, e a apresentação de uma “trinca” de nomes por Gilberto Kassab teria gerado mais dúvidas do que clareza sobre uma alternativa competitiva.
A análise também ressalta dificuldades para sustentar a imagem de moderação no campo bolsonarista. O texto relembra declaração de Flávio Bolsonaro à Folha de S.Paulo, em 14 de junho de 2025, ao tratar das condições para apoio do grupo a um candidato presidencial. Segundo a publicação, ele afirmou: “Estamos falando da possibilidade do uso da força, de interferência em outro poder”, ao mencionar a pressão para impor ao Supremo Tribunal Federal a aprovação de um indulto ao ex-presidente.


