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Brasil impulsionou melhora do clima econômico na América Latina em 2025, segundo FGV Ibre

Indicador de Clima Econômico chegou a 88,5 pontos no quarto trimestre do ano passado

Comércio de rua (Foto: Agência Brasil )

247 - O Indicador de Clima Econômico (ICE) da América Latina alcançou 88,5 pontos no quarto trimestre de 2025, o nível mais alto desde o segundo trimestre de 2024. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), houve avanço de 10,6 pontos ao longo do ano passado, indicando melhora no ambiente econômico regional, embora ainda abaixo dos 100 pontos, patamar que separa condições favoráveis e desfavoráveis.

Segundo o Valor Econômico, o levantamento é realizado desde 1994 com consultas trimestrais a especialistas em mais de dez países. O estudo aponta que o desempenho regional foi desigual ao longo de 2025. Houve "vigorosa retomada" no Brasil, com alta de 21,9 pontos entre o terceiro e o quarto trimestre do ano, chegando a 88 pontos. Já a Argentina registrou aumento de 1,2 ponto, encerrando o período com 102,7 pontos.

Desempenho desigual entre países

Por outro lado, foram observados "recuos relevantes" no México, que caiu 6,4 pontos e fechou 2025 com 68,3 pontos, e na Colômbia, que recuou 13 pontos, encerrando o ano em 79,8 pontos. O levantamento mostra queda do indicador em oito dos dez países analisados, mas afirma que a maior parte dos ajustes foi "moderada". Metade das economias pesquisadas ficou em território expansionista, acima de 100 pontos, incluindo Paraguai, Uruguai, Peru, Chile e Argentina. Mesmo com a melhora, o cenário regional segue desafiador, com o índice geral em território contracionista, ainda que superior aos trimestres anteriores.

De acordo com o estudo, a agressão militar estadunidense na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro, não parece ter sido captada nas respostas do último trimestre de 2025, assim como os ruídos envolvendo outros atores regionais. O levantamento também indica que eventos geopolíticos recentes, incluindo a ampliação da atuação dos Estados Unidos na região e a retomada da narrativa de "A América para os americanos", ainda não aparecem de forma consolidada na percepção dos especialistas.

O ICE é dividido em dois componentes. O Indicador de Situação Atual fechou o quarto trimestre de 2025 em 84,2 pontos, avanço de 3,2 pontos na comparação com o trimestre anterior. Já o Indicador de Expectativas atingiu 92,9 pontos, com alta de 0,2 ponto no período. Ambos registraram os níveis mais elevados desde o terceiro trimestre de 2024, mas continuam abaixo do nível considerado favorável.

No caso brasileiro, houve forte avanço na situação atual, passando de 83,3 pontos para 111,1 pontos entre o terceiro e o quarto trimestre de 2025, ainda abaixo dos 125 pontos registrados no fim de 2024. O indicador de expectativas do país fechou em 66,7 pontos no último trimestre de 2025, acima dos 50 pontos do trimestre anterior. O estudo indica que apenas três países tiveram avaliação positiva em relação ao futuro econômico. Chile, Argentina e Uruguai apresentaram visão "com ressalvas" sobre os próximos meses.

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