Mercado melhora projeções para PIB, inflação e déficit em 2026
Levantamento do Ministério da Fazenda indica revisão para cima do PIB nominal e recuo nas estimativas de INPC, dívida e resultado primário
247 – O mercado elevou as projeções positivas para a economia brasileira em 2026, com revisões favoráveis para crescimento nominal, inflação, contas públicas e trajetória da dívida, segundo o Prisma Fiscal divulgado nesta sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda.
As informações constam de reportagem da Agência Gov, com dados do Ministério da Fazenda, que detalha as estimativas coletadas junto a agentes de mercado para os principais indicadores macroeconômicos de 2026 e 2027, além de projeções de curto prazo para fevereiro, março e abril deste ano.
O que é o Prisma Fiscal e por que ele importa
O Prisma Fiscal é uma fotografia periódica das expectativas de agentes de mercado para variáveis-chave das contas públicas e do desempenho macroeconômico. Ao reunir previsões para receitas, resultado primário, resultado nominal, dívida e indicadores como PIB nominal e inflação, o levantamento funciona como termômetro do humor do mercado e como referência para acompanhamento de tendências.
No Prisma Fiscal de fevereiro de 2026, a SPE registra que, para o conjunto de resultados anuais de 2026, houve revisão em melhora para diversos itens. Entre eles, aparecem arrecadação de receitas federais, receita líquida, resultado primário e nominal do Governo Central, Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), PIB nominal e inflação.
Essa combinação é relevante porque aponta, ao mesmo tempo, para um cenário de preços menos pressionados, atividade nominal ligeiramente mais forte e contas públicas com um déficit primário projetado menor do que o esperado no mês anterior. Em outras palavras, o pacote sugere um ambiente mais benigno para o equilíbrio fiscal, ainda que com déficit, e para a estabilidade macroeconômica.
Inflação menor no ano e alívio também no curto prazo
Um dos destaques do levantamento foi a melhora nas projeções de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Para o acumulado de 2026, os agentes de mercado passaram a estimar inflação de 4,02%, abaixo dos 4,17% apontados no Prisma anterior, de janeiro.
A revisão não ficou restrita ao horizonte anual. No curto prazo, as expectativas para fevereiro também recuaram. O Prisma informa que o mercado aguarda INPC de 0,50% no mês, ante projeção anterior de 0,55%.
A dinâmica do INPC ganha peso adicional por seu impacto direto sobre o custo de vida das famílias e por sua relação com mecanismos de correção e reajustes em diferentes áreas. Na linguagem do próprio material, houve "melhora de expectativas relativas a uma série de indicadores", e a inflação aparece entre os itens centrais dessa revisão.
Déficit primário projetado menor para o Governo Central
No campo fiscal, o Prisma de fevereiro registrou nova estimativa para o resultado primário do Governo Central em 2026. A previsão passou a apontar déficit de R$ 68,206 bilhões, abaixo do déficit de R$ 72,400 bilhões projetado em janeiro.
O dado é relevante porque o resultado primário, definido como receitas menos despesas, é uma das âncoras de avaliação da sustentabilidade fiscal. Um déficit menor, mesmo mantendo o saldo negativo, tende a ser lido como melhora de trajetória, especialmente quando combinado com expectativas mais favoráveis de arrecadação e de receita líquida.
O relatório também lista melhora de expectativas para arrecadação das receitas federais e para a receita líquida, o que reforça a percepção de um quadro fiscal um pouco menos pressionado do que o sugerido no levantamento anterior. No texto divulgado, o levantamento destaca que houve "melhora de expectativas relativas a uma série de indicadores" e inclui o resultado primário entre os itens revisados para melhor.
PIB nominal é revisado para cima em 2026
O Prisma Fiscal de fevereiro trouxe ainda revisão para cima das estimativas de PIB nominal para 2026. Segundo o levantamento, o mercado passou a projetar o PIB nominal em R$ 13,489 trilhões, acima dos R$ 13,447 trilhões apontados no Prisma de janeiro.
O PIB nominal é a soma das riquezas produzidas no país em valores correntes, ou seja, incorpora tanto volume de atividade quanto preços. Por isso, sua trajetória dialoga com inflação, crescimento e arrecadação. Quando o PIB nominal sobe, em geral, amplia-se também o denominador de indicadores como a relação dívida/PIB, o que pode ajudar a melhorar leituras sobre sustentabilidade, dependendo do comportamento do endividamento e do custo financeiro.
Ainda assim, a interpretação do número exige cuidado. Como o indicador é nominal, ele não equivale diretamente a crescimento real da economia, mas aponta para um patamar de atividade e preços mais alto do que o estimado anteriormente, o que pode repercutir em expectativas sobre receitas, despesas indexadas e resultados fiscais.
Dívida bruta recua nas projeções e melhora a relação com o PIB
Outro ponto de atenção é a trajetória da Dívida Bruta do Governo Geral. O Prisma Fiscal de fevereiro mostrou que o mercado também revisou para baixo a relação entre DBGG e PIB ao final de 2026. A estimativa passou a indicar 83,48%, abaixo dos 83,70% projetados em janeiro.
A queda, ainda que pequena, é politicamente e economicamente significativa porque a relação dívida/PIB costuma ser um dos indicadores mais observados por analistas e agentes financeiros. Quando o mercado projeta recuo, isso pode refletir combinação de fatores como melhora do denominador (PIB nominal maior), expectativas melhores para o resultado primário e leitura de que a dinâmica da dívida pode ser menos adversa.
No recorte apresentado pela SPE, a melhora alcança simultaneamente o PIB nominal e a relação DBGG/PIB, reforçando a narrativa de um cenário revisado com menor pressão, ao menos nas expectativas de mercado captadas no mês.
Curto prazo: desemprego e indicadores de fevereiro também melhoram
Além do foco em 2026 e 2027, o Prisma traz estimativas de curto prazo. Nesse recorte, o levantamento indicou melhora nas projeções para fevereiro em itens como arrecadação, resultado primário, inflação e taxa de desemprego medida pela PNAD do IBGE.
Para a taxa de desemprego de fevereiro, a expectativa passou a ser de 5,90%, ante 5,95% no Prisma anterior. Embora a variação seja pequena, ela aponta para percepção de mercado de um mercado de trabalho ainda com relativa sustentação no curtíssimo prazo, algo que tende a influenciar consumo, arrecadação e dinâmica de preços.
O que sinaliza a revisão do mercado e quais os próximos passos
A leitura agregada do Prisma Fiscal de fevereiro de 2026 é de um ajuste em direção a um cenário um pouco mais favorável para a macroeconomia e para a trajetória fiscal, com inflação mais baixa, PIB nominal mais alto, déficit primário menor e dívida bruta ligeiramente reduzida na relação com o PIB.
Ao mesmo tempo, o próprio caráter do Prisma, baseado em expectativas, sugere que o acompanhamento mensal é decisivo. Mudanças em condições financeiras, choques de preços, desempenho da arrecadação e decisões de política econômica podem alterar rapidamente as projeções.
Por isso, os próximos levantamentos servirão para confirmar se a melhora captada em fevereiro se consolida ao longo de 2026 ou se foi uma correção pontual de expectativas. O que o material da SPE deixa claro é que, neste início de ano, o mercado revisou suas apostas e passou a enxergar um quadro menos pressionado em variáveis-chave, o que recoloca o debate sobre crescimento, inflação e responsabilidade fiscal no centro da agenda econômica.


