Cortes de geração causam prejuízo de R$ 6,5 bilhões a eólicas e solares em 2025
Estudo aponta desperdício de 20% da energia renovável e alerta para limites do sistema elétrico
247 - Agentes dos setores eólico e solar registraram perdas estimadas em R$ 6,5 bilhões ao longo de 2025 em decorrência dos cortes compulsórios de geração de energia, prática conhecida como curtailment. O problema ocorre quando usinas são obrigadas a reduzir a produção mesmo havendo capacidade técnica para gerar eletricidade, devido a restrições operacionais do sistema elétrico.
De acordo com um estudo técnico sobre o tema, cerca de 20% da energia que poderia ter sido produzida por empreendimentos eólicos e solares ao longo do ano acabou sendo desperdiçada. Esse volume corresponde a 4.021 megawatts médios (MWmed) que deixaram de ser injetados no sistema.
O estudo indica que os maiores volumes de cortes ocorreram nos meses de agosto, setembro e outubro, período de alta incidência de ventos, sobretudo na região Nordeste. Já em novembro e dezembro, houve uma redução do curtailment, associada ao encerramento da chamada “safra dos ventos” e também a ajustes operacionais adotados pelo sistema elétrico.
A análise da Volt Robotics também aponta um aumento expressivo do risco operacional. Em 2025, o sistema operou próximo ao limite inferior de segurança em 16 dias, situação que pode levar a apagões causados por excesso de geração. No ano anterior, esse cenário havia sido registrado em apenas um dia. Segundo a consultoria, esse crescimento reflete uma mudança estrutural no setor. “A quantidade de energia renovável (solar, principalmente) cresceu tão rapidamente que o sistema elétrico não conseguiu acompanhar”, destaca o estudo.
De acordo com a consultoria, algumas decisões evitaram que a situação se agravasse no fim do ano. “Algumas medidas impediram que um cenário crítico se materializasse durante as festas de fim de ano. Sazonalidades climáticas e decisões operativas, como redução do despacho térmico, foram determinantes para manter o sistema longe do limite”, afirma a Volt Robotics.
Apesar disso, o estudo ressalta que ações pontuais não são suficientes para resolver o problema de forma definitiva. A consultoria defende mudanças estruturais e maior participação dos consumidores no equilíbrio do sistema. “Para além de uma reformulação do sistema, o engajamento dos consumidores poderá ser um fator relevante. O desenho de tarifas horárias eficientes, capazes de gerar benefícios atrativos aos consumidores, e uma comunicação clara com a população serão essenciais”, conclui o levantamento.


