Silveira se encontra com executivos da SAIC, maior montadora chinesa, e cobra investimentos no Brasil
Ministro destaca necessidade de ampliar eletropostos, recarga e armazenamento de energia e reforça aposta em híbridos flex na transição energética
247 – O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reuniu-se nesta sexta-feira (23/1), em Xangai, com executivos da SAIC Motor Corporation Limited, maior montadora da China e uma das líderes globais do setor automotivo, para discutir parcerias estratégicas e cobrar novos aportes no Brasil. O encontro integra a agenda do governo brasileiro para atrair investimentos, fortalecer a reindustrialização e aprofundar a cooperação tecnológica com a China.
A informação foi divulgada pelo Ministério de Minas e Energia, que ressaltou que a reunião teve como foco iniciativas ligadas à transição energética, com ênfase em mobilidade sustentável e na criação de uma base industrial de baixo carbono no país.
Durante o encontro, foram debatidas possibilidades de cooperação em áreas consideradas essenciais para o futuro da indústria automotiva, como tecnologias de baterias, eficiência energética, digitalização do setor, cadeias industriais de baixo carbono e biocombustíveis. Segundo o ministério, esses temas fazem parte do esforço brasileiro para combinar crescimento industrial e redução de emissões, posicionando o país em setores estratégicos da nova economia.
Ao tratar do caminho brasileiro para a transição energética no transporte, Silveira afirmou que o país seguirá uma estratégia própria, que une eletrificação e biocombustíveis, aproveitando a experiência acumulada com o etanol e a diversidade da matriz energética nacional.
"O Brasil seguirá um modelo próprio de transição energética no transporte, combinando eletrificação e biocombustíveis, com base na experiência acumulada em políticas públicas para o etanol e na diversidade da matriz energética nacional", afirmou o ministro, conforme registrado na nota oficial.
Silveira também ressaltou que o governo aposta na expansão de modelos híbridos flex como uma alternativa imediata e economicamente eficiente para reduzir emissões, especialmente enquanto o Brasil avança na estruturação da infraestrutura necessária para a mobilidade elétrica em grande escala.
Planta em Minas Gerais e pressão por mais aportes
Um dos pontos centrais da reunião foi o projeto de instalação da planta industrial da SAIC em Pouso Alegre (MG), estimado em cerca de R$ 300 milhões. Silveira reforçou o apoio do governo brasileiro à implantação da unidade, considerada estratégica para consolidar o Brasil como polo regional da indústria automotiva de baixo carbono.
Além de endossar a implantação da fábrica, o ministro sinalizou interesse em ampliar o nível de investimentos no país, apontando que o Brasil quer avançar para além da montagem industrial, buscando consolidar uma cadeia produtiva mais robusta, integrada e tecnologicamente avançada.
Gargalos de infraestrutura: eletropostos, recarga e armazenamento
Silveira destacou ainda que a expansão da frota eletrificada depende de investimentos pesados em infraestrutura, com atenção especial à rede de eletropostos, aos pontos de recarga e aos sistemas de armazenamento de energia. Segundo o ministro, esse é um dos grandes desafios para que a mobilidade elétrica avance com escala, segurança e sustentabilidade.
O ministro afirmou que as indústrias chinesas estão convidadas a participar desses aportes no Brasil, inclusive por meio de parcerias com distribuidoras de energia, de forma a acelerar o processo de forma estruturada e sustentável.
SAIC: gigante global de veículos e eletrificação
A SAIC Motor é a maior montadora da China e uma das maiores do mundo. Segundo dados apresentados pelo Ministério de Minas e Energia, a empresa vendeu mais de 4,5 milhões de veículos em 2025, obteve receita anual superior a US$ 80 bilhões e atua em mais de 170 países.
O grupo também se destaca no setor de veículos de nova energia, tendo comercializado mais de 1,3 milhão de unidades eletrificadas no último ano. Para o governo brasileiro, o diálogo com uma empresa desse porte faz parte do esforço de atrair investimentos que ajudem o Brasil a acelerar a reindustrialização e avançar na transição energética do transporte, combinando indústria, tecnologia e infraestrutura como eixos de desenvolvimento.


