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Data centers atraem mercado imobiliário com aposta bilionária no Brasil

Investimentos em tecnologia digital devem chegar a R$ 2 trilhões até 2029 e ampliar demanda por data centers no país

Data center (Foto: Divulgação/Meta)
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247 - Os investimentos em tecnologia digital no Brasil devem alcançar R$ 2 trilhões até 2029, impulsionados principalmente pela expansão dos data centers, setor que começa a ganhar destaque também no mercado imobiliário. A projeção consta no Relatório Setorial 2025 da Brasscom, Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação, segundo a Folha de São Paulo.

A computação em nuvem e a inteligência artificial aparecem como os principais vetores desse ciclo de investimentos. A estimativa é de R$ 765,6 bilhões em aportes voltados à nuvem e R$ 736,6 bilhões destinados à inteligência artificial, com crescimento médio anual projetado de 21% e 20%, respectivamente.

A expansão dessas tecnologias amplia a necessidade de estruturas físicas robustas, capazes de armazenar, processar e distribuir grandes volumes de dados com segurança, rapidez e alta disponibilidade. Esse cenário tem colocado os data centers no centro da agenda de investimentos em infraestrutura digital no Brasil.

Segundo a avaliação da Brasscom, o avanço da inteligência artificial e da computação em nuvem deve elevar a procura por terrenos e empreendimentos localizados em áreas com oferta abundante de energia, conectividade de alta qualidade e possibilidade de expansão. Esses requisitos tornam o setor especialmente relevante para o mercado imobiliário, que passa a enxergar os data centers como uma nova categoria de ativo.

O Brasil já ocupa posição de destaque na América Latina. De acordo com a consultoria JLL, o país concentra 48% da capacidade instalada de data centers na região. Os principais polos estão em Barueri, Alphaville e Campinas, no estado de São Paulo, além de Fortaleza, no Ceará.

A capital cearense tem importância estratégica por abrigar a ancoragem de 17 cabos submarinos, infraestrutura essencial para a transmissão internacional de dados. Com o aumento da demanda, outras regiões também começam a ganhar espaço, entre elas o Sul do país, que passa a ser observado como alternativa para novos projetos.

Para incorporadoras, fundos imobiliários e investidores, os data centers apresentam características distintas dos galpões logísticos tradicionais. Esse tipo de empreendimento exige terrenos amplos, acesso a energia em alta capacidade, sistemas avançados de refrigeração, redundância elétrica e conexão por fibra óptica.

Essas exigências reduzem o número de áreas aptas a receber operações do setor e tendem a valorizar terrenos que reúnam as condições necessárias. Com isso, a disputa por localizações estratégicas deve se intensificar nos próximos anos, acompanhando o crescimento da economia digital no país.

A tendência também reforça a ligação entre tecnologia, infraestrutura e planejamento urbano. À medida que empresas ampliam o uso de inteligência artificial, serviços em nuvem e plataformas digitais, a capacidade de processamento de dados passa a depender cada vez mais de ativos físicos bem localizados e altamente especializados.

Nesse contexto, os data centers deixam de ser apenas estruturas técnicas de suporte à internet e se consolidam como peças centrais da nova infraestrutura econômica. Para o mercado imobiliário brasileiro, o avanço dos investimentos digitais abre uma frente de negócios que combina tecnologia, energia, conectividade e valorização territorial.

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