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Demanda por terras raras crescerá 33% até 2030, diz AIE

Relatório da AIE aponta avanço impulsionado por veículos elétricos e alerta para concentração da produção na China

Com apoio do BNDES, o Brasil avança na exploração sustentável de minerais estratégicos — como lítio, cobre e terras raras — e se posiciona como protagonista global na transição energética e na nova indústria de baixo carbono (Foto: Divulgação/Freepik )

247 - A demanda global por terras raras deve crescer cerca de 33% até 2030, superando 120 mil toneladas, impulsionada principalmente pela expansão dos veículos elétricos e de tecnologias avançadas. A projeção também indica aumento de mais de 90% até 2050, com o consumo podendo alcançar 175 mil toneladas caso as políticas atuais sejam mantidas.

Os dados constam em relatório divulgado na quarta-feira (8), que destaca o papel estratégico dos chamados Elementos de Terras Raras (ETRs) na transição energética e na indústria tecnológica global.

Esses minerais são essenciais para a fabricação de motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de alta tecnologia, incluindo aplicações em defesa e consumo. Segundo o estudo, os motores de veículos elétricos são responsáveis por uma parcela significativa do crescimento da demanda.

O relatório aponta que o segmento de veículos elétricos deve dobrar sua participação no consumo total de terras raras, chegando a 18% até 2030. Atualmente, cada motor elétrico utiliza entre 2 e 4 quilos de ímãs permanentes — como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio — enquanto carros convencionais demandam apenas algumas centenas de gramas desses materiais.

O avanço das vendas de veículos elétricos reforça essa tendência. As vendas globais cresceram a uma taxa média anual de 50% desde 2014, saltando de cerca de 300 mil unidades para mais de 17 milhões em 2024. “Os VEs emergiram como um dos principais impulsionadores do crescimento da demanda por terras raras de ímãs, aumentando sua participação na demanda de menos de 1% em 2015 para 9% hoje”, destaca o relatório.

Além do setor automotivo, outras áreas devem contribuir para o aumento da demanda até 2030, como automação, robótica e tecnologias digitais, consideradas emergentes no uso intensivo desses materiais.

O estudo também chama atenção para a forte concentração da cadeia de suprimentos, dominada pela China em praticamente todas as etapas. Em 2024, o país respondeu por 86% da produção global de terras raras leves e 62% das pesadas. No refino, a participação chinesa chegou a 91%, enquanto na produção de ímãs permanentes alcançou 95%.

Segundo o relatório, essa liderança é resultado de planejamento estratégico e políticas industriais adotadas desde os anos 2000. “A China desempenha um papel importante no mercado de terras raras, que evoluiu significativamente desde os anos 2000. Por meio de políticas e regulamentações, o país transformou sua indústria de terras raras em um ecossistema de alto valor”, afirma o documento.

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