Exportações do agronegócio recuam 2,2% e somam US$ 10,8 bi em janeiro
Queda nos preços internacionais pressiona resultado, apesar de avanço no volume embarcado
247 - As exportações brasileiras do agronegócio totalizaram US$ 10,8 bilhões em janeiro, informou o Ministério da Agricultura. O montante representa retração de 2,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior, equivalente a US$ 244 milhões a menos frente aos US$ 11 bilhões registrados em janeiro de 2025.
Apesar do recuo anual, o desempenho foi o terceiro maior já apurado para meses de janeiro na série histórica.
De acordo com o ministério, o resultado foi impactado principalmente pela redução dos preços médios das commodities exportadas. Enquanto o volume embarcado cresceu 7% na comparação anual, os preços médios caíram 8,6%, comprimindo o valor total das vendas externas.
Em nota técnica, a pasta explicou: “A cesta de alimentos que compõem o Índice de Preços dos alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) caiu 0,4% em janeiro em relação a dezembro ou 0,6% na comparação anual. Já a cesta de alimentos que compõem o índice de preço dos alimentos do Banco Mundial teve uma redução de 3,1% na comparação anual. Com efeito, as duas instituições apontam para quedas nos preços, fator que teve influência preponderante para a diminuição do valor exportado pelo Brasil”.
O agronegócio respondeu por 42,8% das exportações totais brasileiras no período, ligeiramente abaixo dos 43,3% observados em 2024.
Carnes lideram embarques
Entre os segmentos, as proteínas animais registraram recorde de exportação no mês. A carne bovina in natura foi o produto de maior valor individual embarcado, com US$ 1,3 bilhão.
Os seis principais setores exportadores em janeiro foram: carnes (US$ 2,58 bilhões), complexo soja (US$ 1,66 bilhão), produtos florestais (US$ 1,38 bilhão), cereais, farinhas e preparações (US$ 1,12 bilhão), café (US$ 1,10 bilhão) e complexo sucroalcooleiro (US$ 750 milhões). Juntos, esses segmentos concentraram 79,8% das vendas externas do agronegócio, somando US$ 8,6 bilhões.
China mantém liderança entre destinos
A China permaneceu como principal destino das exportações do setor, com US$ 2,16 bilhões em compras, o equivalente a 20% do total, avanço de 5,4% na comparação anual. Em seguida aparecem a União Europeia, com US$ 1,69 bilhão (15,7% do total e queda de 11% ante 2025), e os Estados Unidos, com US$ 705,54 milhões (6,6% do total e retração de 31%).
O ministério destacou ainda a expansão das vendas para Emirados Árabes Unidos, Turquia, Filipinas, Irã, Iêmen, Iraque, Chile, Arábia Saudita, Japão e Marrocos.
Sobre o desempenho no Sudeste Asiático, a pasta ressaltou: “As exportações do agronegócio brasileiro para os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), que cresceram 5,7% em janeiro de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, indicando avanço em um bloco que reúne mercados relevantes do Sudeste Asiático e formado pelos seguintes países: Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Singapura, Tailândia, Timor-Leste e Vietnã”.
Importações caem e saldo permanece positivo
No sentido oposto, as importações de produtos agropecuários somaram US$ 1,633 bilhão em janeiro, queda de 11,2% na comparação anual. Papel, trigo, salmão, fibras e produtos têxteis figuraram entre os principais itens adquiridos.
Segundo o ministério, “A redução nas importações de cacau inteiro ou partido foi o que mais contribuiu para esse resultado, uma vez que foram importados US$ 81,33 milhões a menos do que o mesmo mês em 2025. Outros itens que registraram forte queda foram trigo, com US$ 58,55 milhões a menos do que havia sido registrado previamente, e o malte, com US$ 31,38 milhões a menos do que janeiro de 2025”.
Entre os insumos importados para a produção agropecuária, destacaram-se fertilizantes (US$ 940 milhões, alta de 1,1%) e defensivos agrícolas (US$ 301,3 milhões, retração de 26,4%).
Com esse desempenho, o saldo da balança comercial do agronegócio permaneceu positivo em US$ 9,12 bilhões, levemente inferior aos US$ 9,16 bilhões registrados no mesmo período de 2024.


