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Brasil acelera ofensiva comercial na Índia e mira US$ 20 bilhões em intercâmbio até 2026

Missão do presidente Lula a Nova Déli consolida parceria estratégica e amplia oportunidades em energia, agronegócio e indústria

Lula e Alckmin antes do embarque para a Índia (Foto: Redes sociais / Lula)

247 – A visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia marca uma nova etapa da ofensiva comercial brasileira em um dos mercados mais dinâmicos do planeta. Em Nova Déli, o governo brasileiro realiza o Fórum Empresarial Índia–Brasil 2026 e inaugura o primeiro escritório da ApexBrasil na capital indiana, reforçando a estratégia de ampliar exportações, atrair investimentos e consolidar a cooperação no âmbito do BRICS e do Sul Global.

A iniciativa ocorre em um momento de forte expansão do intercâmbio bilateral. Em 2025, o comércio entre os dois países alcançou US$ 15,2 bilhões, um crescimento de 25% em relação a 2024. A meta definida após a missão oficial do vice-presidente Geraldo Alckmin ao país, em outubro de 2025, é elevar a corrente de comércio para US$ 20 bilhões até 2026, além de ampliar a pauta de 1.500 para 2.000 produtos.

Lula: democracias fortes e economias pujantes

O presidente Lula tem destacado o peso político e econômico da aproximação entre as duas nações.

“Dois países superlativos como a Índia e o Brasil não podem permanecer distantes. A solidez das nossas democracias, a diversidade das nossas culturas e a pujança das nossas economias nos atraem”, afirmou o presidente.

A fala sintetiza a dimensão estratégica da relação. Com PIB estimado em cerca de US$ 4,1 trilhões e população de 1,5 bilhão de habitantes, a Índia reúne escala demográfica, crescimento consistente e forte demanda por alimentos, energia, insumos industriais e soluções sustentáveis — áreas em que o Brasil é altamente competitivo.

Jorge Viana: nova fase de expansão

Para o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, a visita marca o início de um novo ciclo.

“O Brasil e a Índia compartilham uma relação cultural e econômica extraordinária de longa data. Na primeira década do governo do presidente Lula, o comércio bilateral avançou exponencialmente. Acreditamos que este é o momento de inaugurar uma nova fase de expansão nas relações entre os dois países. É nisso que a ApexBrasil aposta e trabalha. O país mais populoso do mundo representa hoje um dos mercados de maior potencial para o Brasil”, afirmou.

A inauguração do escritório da ApexBrasil em Nova Déli — o 11º internacional da agência — simboliza esse movimento. A presença permanente permitirá ampliar o apoio às empresas brasileiras, fortalecer a promoção das exportações e acompanhar mais de perto as oportunidades abertas pelo dinamismo da economia indiana.

Recorde nas exportações brasileiras

Em 2025, as exportações brasileiras para a Índia atingiram US$ 6,9 bilhões, o maior valor dos últimos vinte anos e um crescimento de 30% em relação a 2024. Entre 2021 e 2025, as vendas ao mercado indiano cresceram 9,4% ao ano, ritmo superior ao avanço médio das exportações brasileiras para o mundo no mesmo período.

  1. A pauta, ainda concentrada, tem como principais itens:
  2. Açúcares e melaços (28,3%)
  3.  Óleos brutos de petróleo (15,7%)
  4.  Gorduras e óleos vegetais (14,1%)
  5.  Algodão em bruto (6,4%)
  6.  Minério de ferro e seus concentrados (6,0%)

O minério de ferro, impulsionado pela expansão da infraestrutura e da construção civil indianas, apresentou crescimento médio expressivo entre 2021 e 2025.

Complementaridade e 378 oportunidades de negócios

Um dos pilares da ofensiva comercial brasileira é o Mapa de Oportunidades da ApexBrasil, que identificou 378 oportunidades de exportação para o mercado indiano.

As oportunidades concentram-se em combustíveis minerais, matérias-primas não comestíveis, máquinas e equipamentos de transporte, além de produtos ligados a alimentos e bebidas, tecnologia, saúde, moda, casa e construção.

Há destaque para minérios metálicos, sucatas, celulose, fibras têxteis e pedras preciosas e semipreciosas — setor associado à forte indústria de joias indiana.

No agro, permanecem relevantes as oportunidades em etanol e derivados, bem como na expansão das exportações de algodão, área em que o Brasil é líder global.

Também se abre espaço para máquinas e equipamentos industriais voltados ao agronegócio e à geração de energia, em linha com o ciclo de modernização da infraestrutura indiana e com a transição energética, incluindo biocombustíveis e energias renováveis.

Em 2025, foram anunciadas aberturas de mercado para produtos como limão tahiti, limão siciliano, tangerina, derivados de ossos bovinos para gelatina, chifres e cascos para uso industrial.

Investimentos cruzados e indústria de alto valor agregado

A Índia também se destaca como fornecedora de bens de maior valor agregado para o Brasil, especialmente medicamentos, insumos farmacêuticos, produtos químicos e autopeças. Em 2025, as importações brasileiras vindas da Índia somaram US$ 8,4 bilhões, crescimento de 21% em relação ao ano anterior.

No campo dos investimentos, o estoque de Investimento Estrangeiro Direto da Índia no Brasil alcançou US$ 2,1 bilhões em 2024. Entre 2015 e 2025, foram registrados 134 projetos greenfield com capital indiano no Brasil, com valor estimado de US$ 1,8 bilhão.

Empresas indianas também ganham espaço na economia brasileira, enquanto companhias nacionais ampliam sua presença na Índia. Em 2025, a Embraer anunciou a abertura de uma fábrica de aeronaves em Nova Déli, com investimento estimado em US$ 167,3 milhões. No mesmo período, a brasileira WEG adquiriu a Sanelec Excitation Systems.

Acordos estratégicos e fortalecimento do Sul Global

A parceria entre Brasil e Índia também se ancora em acordos comerciais e na cooperação política internacional. O principal instrumento que regula as trocas comerciais é o Acordo de Comércio Preferencial Mercosul–Índia, em vigor desde 2009, que abrange 450 linhas tarifárias com reduções de até 100% nas tarifas de importação.

Além disso, os dois países atuam lado a lado em fóruns estratégicos como BRICS, G20, BASIC e IBAS, fortalecendo a cooperação Sul-Sul em áreas como segurança alimentar, transição energética, transformação digital e inovação.

A atual missão do presidente Lula reafirma esse compromisso e consolida a Índia como parceiro central na estratégia brasileira de diversificação de mercados, expansão das exportações e fortalecimento de uma governança global mais inclusiva.

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