Guerra no Irã derruba preços do cobre e pressiona ações de mineradoras globais
Tensões no Oriente Médio provocam volatilidade no mercado de metais, enquanto analistas mantêm projeções de alta para o cobre
247 - Os preços do cobre e as ações de grandes mineradoras sofreram forte pressão nos mercados internacionais nos últimos dias em meio às preocupações com a guerra no Irã, provocando oscilações significativas nas commodities e nos papéis do setor. Apesar da queda recente, os ativos apresentaram recuperação parcial nesta quarta-feira (4), após um movimento de vendas intensas no pregão anterior.
As informações foram divulgadas pelo Valor Econômico, que relatou a reação dos mercados diante do aumento das tensões no Oriente Médio e das perspectivas para a demanda global por cobre, metal considerado um importante termômetro da atividade econômica mundial.
Nos últimos cinco dias, o cobre acumulou queda próxima de 3%, sendo negociado ao redor de US$ 5,91 por libra-peso em Nova York, equivalente a cerca de US$ 12.910 por tonelada métrica na London Metal Exchange (LME). Mesmo com o recuo recente, o metal ainda registra alta de aproximadamente 4% no acumulado de 2026.
O cobre é frequentemente apelidado por operadores de mercado de “Doutor”, uma referência à sua forte correlação com a atividade econômica global. A demanda pelo metal está diretamente ligada à produção de bens industriais e tecnológicos, o que faz com que seus preços reflitam rapidamente mudanças nas expectativas econômicas.
Ações de mineradoras sentem impacto maior
Enquanto o preço do metal recuou nos últimos dias, os papéis de empresas do setor apresentaram volatilidade ainda mais acentuada. Fundos de índice (ETFs) ligados a mineradoras de cobre — como iShares Copper & Metals Mining, Sprott Copper Miners e Global X Copper Miners — registraram queda entre 7% e 8% nas últimas cinco sessões.
Apesar da correção recente, esses mesmos fundos ainda acumulam valorização de cerca de 20% em 2026, refletindo o forte desempenho anterior impulsionado pelas expectativas de expansão da demanda global por cobre.
Nesta quarta-feira (4), tanto o metal quanto as ações de mineradoras mostraram recuperação parcial, acompanhando também a valorização de metais preciosos como ouro e prata e das empresas do setor.
Projeções variam conforme evolução do conflito
Analistas do Citi avaliam que o preço do cobre negociado em Londres pode voltar para uma faixa entre US$ 13.500 e US$ 14.000 por tonelada métrica nas próximas semanas, caso as tensões envolvendo o Irã diminuam.
Ainda assim, o banco alerta que a volatilidade deve permanecer elevada enquanto persistirem incertezas sobre o conflito no Oriente Médio. Segundo os analistas, o metal poderia inclusive cair abaixo de US$ 12.000 por tonelada antes de atingir um piso mais consistente.
O cenário geopolítico também pode influenciar outros fatores macroeconômicos. O Citi aponta que a escalada do conflito pode elevar temores inflacionários e fortalecer o dólar, o que reduziria a probabilidade de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos. Esse conjunto de fatores tende a pressionar o cobre no curto prazo.
Demanda estrutural sustenta visão otimista
Apesar das turbulências recentes, instituições financeiras mantêm perspectivas positivas para o metal no médio e longo prazo.
Relatório do Bank of America (BofA) divulgado na terça-feira (3) destacou que investidores globais demonstram crescente interesse em commodities associadas às transformações tecnológicas e energéticas. Segundo o banco, “todo mundo parece querer mais ‘commodities voltadas para o futuro’, o cobre em particular”.
A instituição aponta que a expansão da transição energética, o avanço da eletrificação e o crescimento acelerado da inteligência artificial e dos centros de dados devem sustentar a demanda global pelo metal nos próximos anos. O crescimento econômico projetado para a Índia também tende a ampliar o consumo.
Com base nesse cenário, o Bank of America projeta que o cobre pode alcançar US$ 16.000 por tonelada métrica — ou US$ 7,26 por libra-peso — até o segundo semestre do próximo ano, valor cerca de 25% superior aos níveis atuais.
Mineradoras recomendadas por analistas
Nesse contexto, analistas do BofA indicam preferência por empresas com forte exposição ao cobre, como Freeport-McMoRan, Antofagasta, Lundin Mining, Ivanhoe Mines e HudBay Minerals.
O banco também recomenda atenção a grandes grupos de mineração diversificados que possuem operações relevantes no segmento, ainda que menos evidentes para o mercado, como Anglo American, BHP, Glencore e Rio Tinto.


