Latam encerra 2025 com lucro recorde e projeta expansão em 2026
Companhia aérea prevê aumento de até 10% na capacidade após reestruturação e forte geração de caixa
247 - A LATAM Airlines Group encerrou 2025 com resultados financeiros históricos e anunciou um plano de expansão agressivo para 2026, sustentado por disciplina financeira e controle de custos adotados após a reestruturação conduzida sob o Chapter 11. O mecanismo, previsto na legislação dos Estados Unidos, permite que empresas reorganizem dívidas e operações enquanto seguem funcionando normalmente. Nesse contexto, a companhia registrou lucro líquido de cerca de US$ 1,5 bilhão, quase 50% acima do resultado obtido em 2024, e reforçou ao mercado que as práticas adotadas durante o processo de recuperação passaram a fazer parte permanente de sua estratégia.
Os dados foram divulgados pelo site Brazil Stock Guide, que acompanhou a apresentação dos resultados da empresa. No acumulado de 2025, a LATAM reportou receita próxima de US$ 15 bilhões, EBITDA ajustado de US$ 4,1 bilhões e margem operacional em torno de 16%. Com base nesse desempenho, o grupo planeja ampliar sua capacidade entre 8% e 10% em 2026, mantendo a rentabilidade como prioridade.
Segundo a administração, o desempenho é fruto de uma estratégia iniciada antes da pandemia e reforçada após a saída do Chapter 11, combinando rígido controle de custos, investimentos contínuos em produto e foco deliberado nos passageiros corporativos e frequentes. A avaliação interna é que esse conjunto de fatores ajuda a mitigar o tradicional ciclo de forte volatilidade do setor aéreo.
No quarto trimestre de 2025, a LATAM alcançou EBITDA ajustado de US$ 1,129 bilhão, um crescimento de 30% na comparação anual, com margem de 28,6%. A receita avançou 16,3% no período, impulsionada por uma alta de 20% na receita com passageiros. Ao longo do ano, o grupo transportou 87 milhões de passageiros e operou a maior malha aérea do hemisfério sul em termos de frota e volume de tráfego.
O mercado brasileiro teve papel decisivo nesse resultado. A participação da LATAM no segmento doméstico cresceu de 34% em 2019 para 40% em 2025. Já no mercado corporativo, medido pela AbraCorp, a fatia de receita avançou de 28% para 42% no mesmo intervalo. Mesmo com a expansão da oferta, o fator de ocupação permaneceu acima de 85%.
“Mais uma vez, um bom trimestre, novamente números positivos, tanto em crescimento quanto em satisfação e margem, mas eles são consequência desse foco”, afirmou Jerome Cadier, CEO da LATAM Brasil, ao comentar os resultados.
O investimento na experiência do cliente passou a ser tratado como um elemento central da estratégia financeira. Desde 2019, o índice de recomendação líquida (NPS) da companhia subiu de 33 para mais de 55 pontos. No período, a LATAM ampliou o número de destinos domésticos de 44 para mais de 60, reforçou hubs como São Paulo, Brasília e Fortaleza e anunciou novos produtos, entre eles a cabine Premium Comfort em voos de longa distância a partir de 2027 e a oferta de Wi-Fi em aeronaves de grande porte a partir de 2026.
“Esse foco no passageiro frequente e no mercado corporativo faz com que a LATAM tenha receitas mais previsíveis e menos voláteis ao longo do tempo”, disse Cadier durante a apresentação aos analistas.
Durante a coletiva, a administração também foi questionada sobre os efeitos da desvalorização do dólar no início de 2026. O diretor financeiro do grupo, Ricardo Bottas, afirmou que a LATAM é estruturalmente menos exposta às oscilações cambiais do que outros concorrentes regionais, já que mais de 60% da receita do grupo é gerada em dólares, somando operações internacionais de passageiros e de carga.
“Essas duas operações juntas geram receitas em dólares que superam 60% da receita total do Grupo LATAM”, afirmou Bottas. Segundo ele, movimentos cambiais tendem a elevar custos em moeda local, mas também aumentam as receitas quando convertidas para dólares, efeito que é suavizado por estratégias de proteção cambial. Com isso, as variações do câmbio não têm provocado distorções “muito relevantes” nos resultados reportados.
Para 2026, a companhia planeja receber 41 aeronaves, ante 26 em 2025, encerrando o ano com uma frota estimada em cerca de 410 aviões. As projeções indicam margem operacional entre 15% e 17%, geração de caixa pós-investimentos em torno de US$ 1,7 bilhão e nova redução da alavancagem para 1,4 vez a relação entre dívida líquida e EBITDA.
“Quarto trimestre, um EBITDA ajustado de US$ 1,129 bilhão, crescimento de 30% em relação ao ano anterior e margem EBITDA de 28,6%”, reiterou Bottas, ao apontar a consistência dos resultados como o principal alicerce para as metas traçadas.


