Montadora chinesa GWM avança para 2ª fábrica no Brasil e firma termo com o Espírito Santo
Acordo assinado na China abre etapas técnicas para uma nova planta, com Aracruz como favorita e operação estimada a partir de 2028
247 – A montadora chinesa GWM deu mais um passo para ampliar sua presença industrial no Brasil ao assinar, nesta quarta-feira (14), um Termo de Compromisso com o Governo do Espírito Santo. O documento abre caminho para a instalação da segunda fábrica de automóveis da montadora chinesa no país, somando-se à unidade de Iracemápolis (SP), inaugurada em 2025.
As informações foram publicadas pelo Motor1 Brasil, com base em dados divulgados pelo governo capixaba e por veículos locais. O acordo foi formalizado durante uma agenda oficial na China e contou com a assinatura do vice-governador Ricardo Ferraço e do chairman da GWM, Jack Wei, enquanto o governador Renato Casagrande participou por videoconferência.
Apesar do anúncio, o termo não autoriza o início imediato de obras. Na prática, ele marca o começo de uma fase de avaliações técnicas e institucionais necessárias para viabilizar o projeto, incluindo estudos sobre localização, infraestrutura e condições logísticas.
Espírito Santo vira peça central na estratégia da GWM
A movimentação reforça um processo que já vinha se desenhando: o Espírito Santo ganhou peso na operação brasileira da GWM e se consolidou como um dos pilares logísticos da marca. Em 2025, a montadora importou mais de 45 mil veículos pelos portos capixabas, volume que ajudou o estado a se transformar no principal hub logístico da empresa no país.
Essa base portuária tem sido determinante para atrair o investimento. Hoje, os veículos importados da China desembarcam no Porto de Vitória (ES), em uma operação realizada em parceria com a Comexport, empresa que também atua no Polo Automotivo do Ceará.
Aracruz desponta como favorita, mas decisão depende de estudos
Embora o local definitivo ainda não tenha sido oficializado, Aracruz, no Norte do Espírito Santo, aparece como o destino mais provável da nova fábrica. A cidade reúne fatores considerados estratégicos: acesso direto à BR-101, proximidade com diferentes portos, incentivos regionais da Sudene e a estrutura planejada do ParkLog, voltada a grandes projetos industriais.
Nos bastidores, o investimento é tratado como relevante. Projeções iniciais apontam valores em torno de R$ 340 milhões, com expectativa de início de operação por volta de 2028, caso o cronograma avance sem atrasos.
Plano maior: até R$ 10 bilhões em investimentos no país até 2032
A eventual nova planta no Espírito Santo se encaixa numa leitura mais ampla da montadora sobre o Brasil. A GWM já sinalizou que seus investimentos no país podem chegar a R$ 10 bilhões até 2032, e a unidade capixaba entraria como complemento estratégico à fábrica de Iracemápolis, reforçando ganho de escala e capacidade produtiva local.
A disputa pelo projeto envolveu outros estados, como Paraná e Santa Catarina, mas o Espírito Santo teria se destacado não apenas pela eficiência portuária. Pesaram também a localização considerada estratégica e um ambiente apontado como mais previsível para novos investimentos.
Novo polo automotivo em formação
Se a fábrica for confirmada, o Espírito Santo tende a assumir um novo papel no mapa da indústria automotiva nacional. O estado, que já funciona como porta de entrada dos veículos da GWM, passaria também a disputar espaço como polo de produção, ampliando sua relevância industrial e logística.
O movimento ainda sinaliza uma tendência maior no setor: a aposta de marcas chinesas no Brasil não se limita ao curto prazo. Ao reforçar produção e estrutura regional, a GWM indica um projeto de permanência e expansão, com impacto direto sobre cadeias locais, infraestrutura e disputa por investimentos industriais no país.


