Nova tarifa dos EUA amplia competitividade da indústria brasileira, aponta Governo
Governo brasileiro afirma que revogação de sobretaxas favorece setores e zera imposto para aeronaves
247 - A mudança na política tarifária dos Estados Unidos deve melhorar as condições de acesso de produtos brasileiros ao mercado norte-americano. A avaliação é do governo federal, que aponta ganho de competitividade para diferentes segmentos da indústria após a revogação de sobretaxas que chegavam a 50%.
As informações foram divulgadas pelo Valor Econômico e confirmadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), que detalhou os impactos da nova Ordem Executiva assinada pelo governo norte-americano.
Na sexta-feira (20), os Estados Unidos revogaram atos anteriores que impunham tarifas específicas ao Brasil, compostas por uma taxa adicional de 40% somada a uma alíquota recíproca de 10%, conforme o produto. No mesmo dia, foi publicada nova Ordem Executiva estabelecendo tarifa global de 10% para todos os países, com exceções para determinados itens.
No sábado (21), o governo norte-americano anunciou a intenção de elevar essa alíquota para 15%, embora a formalização da medida ainda não tenha sido concluída.
De acordo com o Mdic, a principal consequência é que setores que antes enfrentavam tarifas de até 50% passam a competir sob alíquota uniforme de 10% ou 15%, em igualdade com fornecedores de outros países. Entre os segmentos beneficiados estão máquinas e equipamentos, calçados, móveis, confecções, madeira, produtos químicos e rochas ornamentais.
No setor agropecuário, pescados, mel, tabaco e café solúvel também deixam de pagar 50% e passam a se enquadrar na nova faixa tarifária reduzida.
O governo calcula que aproximadamente 25% das exportações brasileiras aos Estados Unidos — cerca de US$ 9,3 bilhões — serão submetidas às novas tarifas de 10% ou 15%. Outros 46% das vendas externas ficarão livres de cobrança adicional, em razão das exceções previstas no decreto norte-americano. Já 29% correspondem a produtos que já estavam sujeitos a tarifas setoriais específicas.
Outro ponto destacado pelo governo é a exclusão das aeronaves das novas tarifas. O produto passa a ter alíquota zero para entrada no mercado dos Estados Unidos. Antes, estava sujeito à taxa recíproca de 10%.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos alcançou US$ 82,8 bilhões, resultado 2,2% superior ao registrado em 2024. As exportações brasileiras somaram US$ 37,7 bilhões, enquanto as importações atingiram US$ 45,1 bilhões, gerando déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o Brasil.


