Serra Verde avalia ampliar valor agregado de terras raras no Brasil
Ministério de Minas e Energia diz que grupo estuda investimentos em Minaçu após mudança de controle para a USA Rare Earth
247 O Ministério de Minas e Energia informou nesta terça-feira (19) que a Serra Verde está comprometida em avaliar novos investimentos para agregar mais valor à produção de terras raras em sua planta localizada em Minaçu, em Goiás.
Segundo o MME, a declaração foi feita pelo CEO global do Grupo Serra Verde, Thras Moraitis, durante reunião realizada pela manhã com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
De acordo com a pasta, Moraitis afirmou que a combinação da Serra Verde com a empresa norte-americana USA Rare Earth, nova controladora da mineradora, pode abrir espaço para o uso de tecnologias capazes de ampliar o processamento e o valor do produto no Brasil.
“Nossa combinação com a USA Rare Earth nos proporciona acesso a novas tecnologias que podem agregar ainda mais valor ao nosso produto no Brasil, o que estamos comprometidos em avaliar”, disse o CEO global do grupo, conforme nota divulgada pelo ministério.
A reunião ocorreu em meio à repercussão política da transferência de controle da Serra Verde, anunciada em abril, para a USA Rare Earth. A operação foi divulgada pelo valor de US$ 2,8 bilhões e provocou críticas de integrantes do governo Lula e de aliados da base no Congresso, especialmente pelo caráter estratégico das terras raras para cadeias industriais e tecnológicas.
Segundo o MME, Silveira afirmou no encontro que o governo brasileiro busca formular uma política voltada à atração de capital estrangeiro, mas com prioridade para a soberania nacional e para o desenvolvimento econômico, tecnológico e industrial do país.
“O Brasil está aberto ao capital americano e de qualquer outro país que respeite a nossa soberania, essa é a mensagem que o presidente Lula deixou ao presidente dos Estados Unidos e a todo o mundo”, declarou Silveira, de acordo com a divulgação oficial.
O ministro também defendeu que investimentos internacionais no setor mineral sejam estruturados de forma a fortalecer a indústria nacional, e não apenas ampliar a exportação de matérias-primas.
“Todos conhecem as nossas potencialidades e riquezas minerais, por isso estamos trabalhando na construção de uma política para que estes investimentos internacionais, como o da Serra Verde, se consolidem como um ativo estratégico para o desenvolvimento industrial e mineral nacional, fazendo com que o nosso país deixe de ser apenas um exportador de commodities”, acrescentou.
A Serra Verde atua na produção de terras raras em Goiás, insumos considerados relevantes para setores de alta tecnologia. A posição apresentada pelo MME busca enquadrar a operação com a USA Rare Earth dentro de uma estratégia mais ampla de atração de investimentos externos com contrapartidas industriais no território brasileiro.



