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Só Jesus Cristo evitaria apagões por quedas de árvores em São Paulo, diz CEO da Enel

Flávio Cattaneo afirma que cabos “estão dentro das árvores” e promete enviar plano de corte e replantio ao presidente Lula

Subestação da Enel em São Paulo 26/03/2025 REUTERS/Amanda Perobelli (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

247 – O presidente-executivo do grupo italiano Enel, Flávio Cattaneo, afirmou que a empresa mantém “boas discussões” para apresentar uma solução definitiva aos apagões na rede de distribuição de energia em São Paulo e atribuiu parte central do problema à combinação entre rede aérea e arborização na região metropolitana.

A declaração foi dada nesta segunda-feira (23), durante a apresentação ao mercado do novo plano estratégico do grupo para os próximos anos, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. Ao tratar dos episódios de interrupção em dias de tempestade e ventania, Cattaneo argumentou que a fiação está tão tomada pelas árvores que, nas condições atuais, não haveria como evitar novas ocorrências.

“Porque, na nossa opinião, não se trata de um problema da Enel. Nesse caso, se eles continuarem com esse tipo de árvores, só uma pessoa será capaz de lidar com isso, e não é um ser humano; é Jesus Cristo, porque não é possível evitar o apagão de outra forma”, disse o executivo. “(A rede de cabos) está dentro das árvores, não próxima, não ao lado. Isso é impossível, se tem uma tempestade, uma situação especial, é impossível de evitar o apagão.”

Apesar do diagnóstico duro, o CEO afirmou que a companhia busca uma “solução final” para reduzir a recorrência dos apagões. “Nós temos, eu acredito, uma boa discussão para propor a eles uma solução definitiva, uma solução final para evitar esse problema”, afirmou. Ele também declarou que o departamento jurídico e a subsidiária brasileira apresentaram às autoridades locais a “habilidade” da empresa, sustentando que a Enel teria recuperado “em 50% a qualidade do serviço” em São Paulo no último ano.

Em meio às pressões políticas e regulatórias, Cattaneo disse ainda que não tem interesse em vender a concessão de distribuição de energia em São Paulo. Segundo ele, a companhia “não tem medo”, por acreditar estar correta do ponto de vista jurídico. No Ceará e no Rio de Janeiro, os outros dois estados onde a Enel opera na distribuição e busca renovações contratuais, o executivo afirmou que as negociações para prorrogação das concessões estão praticamente completas.

Enquanto a empresa tenta sustentar a tese de melhora operacional, o tema volta ao centro da pauta da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A diretoria da agência avaliará na terça-feira (24) um pedido do diretor Gentil Nogueira por mais 60 dias para formular seu voto-vista e recolocar em pauta o processo de eventual caducidade da Enel São Paulo. O prazo adicional, segundo Nogueira, seria necessário para garantir à empresa o direito de ampla defesa, após fiscalização da Aneel apontar desempenho considerado insatisfatório no apagão de dezembro.

O pedido, no entanto, enfrenta resistência dentro da própria agência. O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, manifestou-se contra a extensão e reforçou, em ofício enviado na sexta-feira anterior, a necessidade de deliberação “em caráter de urgência urgentíssima”. A disputa por prazo expõe o grau de tensão em torno do processo, que pode definir o futuro da concessionária no maior mercado do país.

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