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Vale projeta impacto neutro de conflito no Oriente Médio e retomada em MG

Empresa vê mercado equilibrado, apesar da guerra, e prepara volta de minas em Minas Gerais após paralisação por questões de segurança

Vale (Foto: Brazil Stock Guide)

247 - A Vale avalia que o conflito no Oriente Médio, envolvendo o Irã, não provocou distorções relevantes no mercado global de minério de ferro e mantém uma perspectiva de equilíbrio entre oferta e demanda. Ao mesmo tempo, a companhia trabalha para retomar, nas próximas semanas, as operações das minas de Viga e Fábrica, em Minas Gerais, que seguem paralisadas desde janeiro por questões de segurança.

As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (29), durante apresentação de resultados da empresa, conforme reportagem da IstoÉ Dinheiro. Executivos da mineradora detalharam tanto os impactos do cenário internacional quanto os planos operacionais no Brasil.

O vice-presidente executivo Comercial e Desenvolvimento, Rogério Nogueira, afirmou que o conflito no Irã teve efeito limitado sobre a cadeia global. “No Oriente Médio, especificamente, a produção de aço também está estável, porque eles estão mantendo a produção com base nos estoques de sucata e de pelotas. Isso ocorre apesar de uma contração na produção de aço bruto do Irã”, declarou. Segundo ele, a produção no país foi interrompida, mas outros mercados da região seguem ativos. “Mas o restante dos nossos clientes na região continua produzindo”, acrescentou.

De acordo com o executivo, a leitura da empresa é de neutralidade no impacto geral. “Nossa visão sobre o mercado, especificamente em decorrência do conflito, é neutra. Houve um impacto neutro sobre a oferta global de minério de ferro por causa do conflito no Irã”, concluiu.

Custos pressionados e mercado estável

Apesar da estabilidade na oferta, Nogueira reconheceu que o cenário geopolítico elevou custos. Segundo ele, a alta do petróleo deslocou a curva de custos entre US$ 5 e US$ 10 por tonelada, afetando principalmente empresas menos competitivas e contribuindo para sustentar os preços do minério de ferro.

Na China, principal consumidor global, a Vale observa estabilidade na produção de aço. O executivo destacou que a utilização dos altos-fornos está próxima de 90%, nível considerado elevado pela companhia. “Ainda acreditamos e vemos a continuidade das exportações anualizadas de aço (pela China) em um nível de 100 milhões de toneladas em 2026. Infraestrutura e manufatura compensam um setor imobiliário fraco, que continua sendo, de fato, um setor desafiador para a China”, afirmou.

Fora do mercado chinês, a avaliação também é de equilíbrio. “No geral, vemos equilíbrio entre oferta e demanda, e a perspectiva de preços também é equilibrada”, disse Nogueira.

Retomada de minas em Minas Gerais

No Brasil, a Vale trabalha para retomar as operações das minas de Fábrica, localizadas entre Ouro Preto e Congonhas, e Viga, em Congonhas. As atividades estão suspensas desde 27 de janeiro, após o transbordamento de água e sedimentos, o que gerou preocupações com a segurança de comunidades e do meio ambiente.

O vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores, Marcelo Bacci, afirmou que o retorno depende de autorizações regulatórias. “Nós tínhamos a expectativa de voltar um pouco mais cedo do que está acontecendo. As autoridades têm que licenciar esse retorno, fizeram algumas exigências adicionais, que estamos atendendo. Nós estamos próximos de estar prontos para isso”, disse.

Bacci ressaltou que o impacto da paralisação é limitado no contexto geral da produção da empresa. “Essas duas unidades são relativamente pequenas em relação à nossa produção total. Então, esse atraso que aconteceu até agora não tem impacto relevante na nossa meta de produção para o ano…”, afirmou.

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