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Venda de veículos fica estável em janeiro, mas exportações e produção recuam, aponta Anfavea

Queda na Argentina e retração dos pesados pressionam o setor, apesar do avanço dos eletrificados

Produção de veículos no Brasil (Foto: Reuters)

247 - As vendas de veículos no Brasil permaneceram praticamente estáveis em janeiro de 2026, mas o setor automotivo iniciou o ano com retração relevante na produção e nas exportações. O desempenho foi influenciado principalmente pela queda nos embarques para a Argentina e por uma base elevada de comparação na produção do ano passado, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

De acordo com o balanço divulgado nesta quinta-feira (6) pela Anfavea, o país licenciou 170,5 mil autoveículos no primeiro mês de 2026 — número que inclui automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. O total representa queda de 0,4% em relação a janeiro de 2025, indicando estabilidade no mercado interno.

Apesar do resultado praticamente inalterado nas vendas, os números do setor mostraram recuo expressivo no comércio exterior. As exportações somaram 25,9 mil unidades em janeiro, queda de 18,3% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Já a produção totalizou 159,6 mil autoveículos, retração de 12% na mesma base anual.

Durante coletiva de apresentação dos dados, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que a queda na produção deve ser interpretada com cautela, devido a particularidades do início de 2025. “A produção é um número menor, mas janeiro de 2025 foi atípico na média de produção de autoveículos”, disse.

Ele também apontou que parte do impacto veio do calendário de funcionamento das montadoras no início do ano. “Essa é uma queda que também deveu-se muito ao fato de que nossas associadas têm dado férias coletivas, algumas voltaram na terceira semana de janeiro. Ou seja, tivemos um mês comprimido do ponto de vista da produção”, declarou.

Eletrificados atingem recorde e híbridos nacionais ganham espaço

Mesmo com a desaceleração em exportações e produção, o segmento de veículos eletrificados apresentou desempenho positivo. Segundo a Anfavea, os modelos eletrificados responderam por 16,8% dos emplacamentos em janeiro, um recorde histórico. Dentro desse grupo, 35% foram veículos híbridos produzidos no Brasil — também o maior percentual já registrado.

Para Calvet, o avanço reflete o ciclo de investimentos em andamento na indústria nacional. “É um resultado fruto dos investimentos que todas nossas associadas têm feito no país”, afirmou. Ele avaliou ainda que o indicador aponta continuidade de crescimento ao longo do ano. “Trajetória de crescimento ao longo de 2026”, disse.

Alta em automóveis e comerciais leves sustenta estabilidade do mercado

A estabilidade nas vendas totais foi puxada pelo desempenho positivo de automóveis e comerciais leves. Os licenciamentos de automóveis somaram 125,2 mil unidades em janeiro, alta de 1,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Já os comerciais leves alcançaram 37,7 mil unidades, crescimento de 3%.

O avanço desses segmentos compensou o forte recuo observado entre os veículos pesados, que apresentaram queda acentuada no início do ano.

Caminhões e ônibus têm retração superior a 30%

Os números da Anfavea mostram que os licenciamentos de caminhões somaram 6,4 mil unidades em janeiro, queda de 31,5% frente a janeiro de 2025. No caso dos ônibus, o total foi de 1,1 mil unidades, retração de 33,9%.

Ao comentar o cenário, Igor Calvet defendeu a necessidade de medidas voltadas ao estímulo do setor. “Esse número é a justificativa daquilo que a gente vinha defendendo, que é um programa para desfibrilar o mercado”, afirmou.

A entidade avalia que o programa Move Brasil pode ajudar a reverter a retração nos pesados. O setor acompanha com expectativa os resultados da iniciativa, que aprovou R$ 1,3 bilhão em financiamentos para renovação de frota em apenas um mês.

Argentina segue como principal destino, mas registra forte queda

No mercado externo, a Argentina manteve a liderança como principal destino dos veículos exportados pelo Brasil em janeiro, com 15,6 mil unidades. No entanto, esse volume representa queda de 27,1% na comparação anual, contribuindo de forma decisiva para o recuo geral das exportações.

O México apareceu em segundo lugar, com 2,2 mil unidades exportadas, registrando alta de 152,9%. A Colômbia veio na sequência, com 2,1 mil unidades e crescimento de 50,5%. Para Calvet, esses aumentos ajudaram a conter perdas ainda maiores no desempenho externo. “Apesar desses países virem de uma base baixa”, explicou.

Ele afirmou ainda que o arrefecimento do mercado argentino era esperado, mas indicou que outros fatores podem ter pesado no resultado. Segundo Calvet, condições econômicas e o crescimento da entrada de veículos importados naquele país também podem ter influenciado.

O Uruguai ocupou o quarto lugar entre os destinos, com 1,1 mil autoveículos exportados, mas teve queda expressiva de 63,5%. Já o Chile recebeu 1,6 mil unidades, registrando alta de 8,9%.

Diante desse cenário, Calvet afirmou que a estratégia de ampliar presença nos principais parceiros comerciais será decisiva em 2026. “Durante o ano de 2026 a estratégia de acessar e fortalecer esses mercados com quem temos trocar comerciais importantes vai ser fundamental. Ou seja, trabalhar muito forte com Argentina, Uruguai, México e Colômbia”, declarou.

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