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Gêmeos. Irmãos cheios de mistério

Podem ter pais diferentes? É verdade que os gêmeos têm uma linguagem própria que só eles entendem? Por que, envelhecendo, ficam menos parecidos? Saiba estas e outras curiosidades sobre os irmãos gêmeos.

Podem ter pais diferentes? É verdade que os gêmeos têm uma linguagem própria que só eles entendem? Por que, envelhecendo, ficam menos parecidos? Saiba estas e outras curiosidades sobre os irmãos gêmeos. (Foto: Luis Pellegrini)

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Por: Equipe Oásis

 

O mundo dos irmãos nascidos em um mesmo parto é fascinante e ainda em boa parte desconhecido. Ele possui algumas dinâmicas que escapam à compreensão dos próprios pais. Mas trata-se de um universo cada vez mais pesquisado por uma ciência que aproveita as semelhanças genéticas desses indivíduos para compreender, por exemplo, quais doenças dependem do DNA e quais de fatores ambientais. Quando se trata de gêmeos, é frequentemente difícil separar as evidências científicas das lendas e crenças não-científicas. Estas são algumas curiosidades experimentalmente verificadas e comprovadas sobre esse mundo “duplo”(às vezes, mais raramente, triplo, quádruplo, etc).

 

1 Os gêmeos astronautas. A dupla formada pelos irmãos Scott e Mark Kelly, os dois gêmeos astronautas da Nasa, é apenas uma das muitas estudadas pela ciência (embora seja a única da qual temos dados colhidas na ausência de gravidade). Há uma semana, Scott regressou à terra depois de passar quase um ano inteiro a bordo da Estação Espacial Internacional. Seu irmão Mark permaneceu na superfície, e agora os pesquisadores comparam as condições de ambos (eles são gêmeos monozigóticos, e portanto geneticamente idênticos) para verificar as alterações biológicas do gêmeo que ficou no espaço  com as do seu irmão que ficou na terra.

 

2 Suas mães vivem mais tempo. E não é porque precisam trocar mais fraldas que as mães de um só bebê, ou acalmar e contentar duas vezes a quantidade de caprichos e manhas. Muito mais que isso, parece certo que são justamente as mães mais fortes e resistentes as que têm mais probabilidades de conceber gêmeos. É como se a evolução “premiasse” o seu enxoval genético de boa qualidade transmitindo-o não a um, mas a dois filhos de uma só vez. A correlação foi estabelecida por um estudo publicado em 20122, e se refere a uma amostragem de mães do estado de Utah (EUA) que viveram no século 19. As mães de gêmeos parecem viver mais tempo, recuperar-se mais rapidamente da gravidez e do parto, e possuir uma janela reprodutiva mais ampla do que o comum. Mas os dados referem-se apenas a gêmeos concebidos naturalmente e não com reprodução assistida.

 

3 Não é verdade que o primeiro a nascer é sempre o segundo a ser concebido. Este é um motivo de muitas piadas ou – no caso de famílias de reis – uma questão de sucessão ao trono. O primeiro a nascer é simplesmente o gêmeo melhor posicionado no momento do parto. No que diz respeito à concepção, ela é única para os gêmeos monozigóticos: um único espermatozoide fecunda um único óvulo; o zigoto assim formado se dividirá no tempo de duas semanas, dando origem a dois embriões idênticos. Mas também no caso de gêmeos heterozigotos, que têm origem a partir de dois espermatozoides e dois óvulos diversos, é impossível se estabelecer qual dos dois fetos foi “criado” em primeiro lugar. A própria concepção, inclusive pode ocorrer em dois momentos ligeiramente diversos. Com certeza, isso não pode ser deduzido pela posição dos fetos no útero, já que estes, durante a gravidez, continuam a se mover.

 

4 Não têm impressões digitais idênticas. Nem quando se trata de gêmeos monozigóticos. Neste caso, as suas impressões são parecidas, mas não idênticas. A conformação das impressões digitais, com efeito, não são influenciadas apenas pelo patrimônio genético (idêntico nos monozigóticos) mas também por uma série de fatores ligados ao desenvolvimento intrauterino, diferente para um dos dois fetos. É suficiente um cordão umbilical ligeiramente mais longo ou mais curto (também os monozigóticos possuem um cordão separado para cada irmão) para influenciar a forma da impressão digital.

 

5 Podem ter a pele de cor diferente. Pode ocorrer nos gêmeos nascidos de casais mistos, um pai negro e uma mãe branca, por exemplo. Segundo os especialistas europeus, existe uma probabilidade em cada 500 de que um casal multiétnico tenha filhos gêmeos, cada um deles com uma diferente cor da pele. O discurso naturalmente é válido apenas para gêmeos heterozigóticos, nascidos do encontro de dois espermatozoides e dois óvulos: já que o processo de distribuição genética é casual, e as variantes genéticas que determinam a cor da pela são cerca de vinte, pode acontecer que em um dos gêmeos a presença de pigmento domine sobre a ausência de pigmento, ou vice versa. Com o aumento em todo o mundo do número de casais mistos e dos tratamentos de incremento da fertilidade, esses casos hoje são um pouco menos raros do que no passado.

 


6 Os primeiros carinhos começam já no útero. Pesquisadores das Universidades de Parma, Turim e Padova (Itália), em colaboração com o Hospital Pediátrico Burlo Garofalo, de Trieste, fizeram essa descoberta ao examinar ecografias 4D. A partir da 14a semana de gravidez, e daí em diante, as carícias trocadas por gêmeos parecem não ser casuais e sim perfeitamente voluntárias, com a finalidade de estabelecer o conhecimento recíproco. Os gestos que os mesmos fetos fazem ao tocar a parede do útero, ou aqueles voltados para si próprios, parecem com efeito menos afetuosos.

 

7 Desenvolvem uma linguagem “codificada”. Pelo menos 40% dos gêmeos, nas primeiras fases do seu desenvolvimento, criam uma forma de comunicação autônoma praticamente indecifrável para os adultos, mas compreensível no interior da dupla de gêmeos. Cada irmãos toma o outro como modelo: a língua que resulta disso é cheia de onomatopeias e palavras interrompidas, ouvidas dos genitores e depois estropiadas e consolidadas. Geralmente esses códigos de comunicação desaparecem com o crescimento: ele não é típico apenas dos gêmeos, mas também de irmãos de idades muito próximas. É mais frequente nas famílias cujos pais não estão sempre presentes, e os filhos ficam livres para interagir de modo natural.

 

Vídeo: Conversa de gêmeos idênticos

 



8 As mulheres mais altas têm mais probabilidade de conceber gêmeos. Isso graças aos fatores insulínicos de crescimento ou similares, também conhecidos como IGF - hormônios produzidos pelo fígado sob o estímulo do hormônio do crescimento -, que estimulam o crescimento dos ossos, cartilagens e músculos. As mulheres altas possuem em seus organismos uma maior quantidade de IGF; mas esses fatores também estimulam a sensibilidade ovariana, incrementando a ovulação. Eis porque, segundo pesquisa do Long Island Jewish Medical Center (EUA), as mulheres mais altas teriam maiores probabilidades de conceber naturalmente filhos gêmeos.

 

9 Com a velhice, os gêmeos ficam menos parecidos. Acontece com frequência (mas nem sempre, como se percebe nas gêmeas idosas da foto) que gêmeos idênticos, com a idade, terminem por se tornarem menos parecidos um ao outro. O fato poderia surpreender, a partir do momento em que ambos possuem o mesmo enxoval genético, mas ele não é afinal assim tão estranho. Depende das interações entre os genes e fatores ambientais; condições diversas de vida intervém sobre os genes marcando-os quimicamente e dando origem, por exemplo, a diferentes patologias, diferentes personalidades e marcante diversidade física. Estudos nesse campo descobriram, por exemplo, que dificilmente gêmeos idênticos morrem por causa das mesmas causas.

 


10 Podem ter pais diferentes. Esta é uma circunstância muito rara, porém possível. Ela implica que uma mulher produza dois óvulos no mesmo mês (normalmente apenas um amadurece a cada mês) e que tenha relação sexual com dois homens diversos no arco de poucos dias. Como os espermatozoides podem sobreviver no corpo feminino diversos dias, pode acontecer que eles fertilizem dois óvulos diversos.

 

11 Existe uma capital mundial dos gêmeos. Ela se chama Twinsburg e se encontra no estado de Ohio (EUA): todos os anos, durante um inteiro fim-de-semana, organiza-se no lugar um festival dedicado aos gêmeos. Eles comparecem em massa, sobretudo os monozigóticos. Trata-se de uma boa ocasião para fotógrafos, e sobretudo para cientistas. Muitos deles se aproveitam da multidão de indivíduos “duplos” para colher sujeitos para suas experiências científicas (normalmente, os gêmeos de Twinsburg colaboram prazerosamente com esses estudos.

 

 

 

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