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Alckmin diz que acordo Mercosul–União Europeia deve gerar mais empregos, investimentos e sustentabilidade no Brasil

Vice-presidente afirma que tratado cria o maior pacto entre blocos do mundo, reforça o multilateralismo e ajuda a destravar exportações

Geraldo Alckmin (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 – Em entrevista ao programa “Bom dia, ministro”, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o acordo entre Mercosul e União Europeia — após mais de duas décadas de negociação — tende a ampliar exportações, atrair investimentos e impulsionar emprego e renda, além de reforçar compromissos de sustentabilidade em um cenário internacional marcado por protecionismo e instabilidade geopolítica.

Segundo Alckmin, o tratado reúne um mercado de 720 milhões de pessoas e PIB de cerca de 22 trilhões de dólares, tornando-se “o maior acordo entre blocos do mundo”. Para ele, a assinatura representa também uma mensagem política: “É um exemplo pro mundo… que é possível, através do diálogo e da negociação você fortalecer o multilateralismo e você ter livre comércio”.

Maior acesso ao mercado europeu e tarifas menores

Ao detalhar o impacto econômico, Alckmin disse que o acordo significa “comércio”, com redução de tarifas e regras que, em sua visão, beneficiam consumidores e empresas. “Zera a tarifa. Então você tem livre comércio, mas livre comércio com regras”, afirmou.

O vice-presidente sustentou que a abertura tende a fortalecer agronegócio, indústria e serviços, com efeito direto sobre empregos. “Comércio exterior hoje é emprego na veia”, declarou, citando a Embraer como exemplo de empresa que depende do mercado externo para ganhar escala: “A Embraer é hoje a terceira maior indústria do mundo porque exporta pros cinco continentes”.

Agro e indústria: por que o acordo é estratégico para o Brasil

Questionado sobre quais setores ganham mais, Alckmin destacou que a União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Brasil e tem peso tanto no agro quanto na indústria. Ele enfatizou que resistências na Europa, especialmente na França, ocorreram por receio da competitividade brasileira no campo. “No agro nós vamos poder exportar praticamente quase tudo”, disse, acrescentando que o acordo abre um “universo” de consumidores em 27 países.

Na indústria, Alckmin lembrou que o bloco europeu é um destino relevante para manufaturados brasileiros. “No caso da indústria, primeiro Estados Unidos e depois a União Europeia”, afirmou, ao defender que o pacto ajuda a reposicionar a indústria nacional em cadeias globais.

Aprovação na Europa e papel do presidente Lula

Alckmin relatou que, entre os 27 países europeus, 21 votaram a favor, houve uma abstenção da Bélgica e cinco votos contrários, observando que “é muito difícil você ter unanimidade”.

Ele atribuiu a conclusão da negociação à condução política do presidente Lula. “Sua liderança e a sua perseverança foi fundamental para um acordo que há 25 anos é trabalhado, mas nunca saía”, afirmou, defendendo que o tratado pode entrar em vigor após tramitações legislativas, com internalização no Brasil.

Tarifaço dos EUA e negociações: “Brasil não é problema”

Ao abordar as relações com os Estados Unidos, Alckmin disse que o país é o terceiro parceiro comercial do Brasil e importante para exportações de maior valor agregado. Ele afirmou que o Brasil foi “surpreendido” por um tarifaço e questionou sua justificativa, destacando que a tarifa média brasileira para produtos americanos seria de 2,7%, com vários itens em regime de exceção.

O vice-presidente também argumentou que, no G20, os Estados Unidos teriam superávit com apenas três países, incluindo o Brasil. “Brasil não é problema”, disse, afirmando que a orientação do presidente Lula tem sido “diálogo e negociação”.

Alckmin descreveu uma estratégia gradual de redução do impacto do tarifaço e citou exemplos de produtos que teriam sido retirados de medidas mais duras ao longo das conversas. “O que nós queremos… é um ganha ganha”, afirmou, dizendo que o acordo com a União Europeia não interfere nessas tratativas: “Eu diria que não, porque são coisas distintas”.

Irã, ameaças e o papel do Itamaraty

Em perguntas de rádios e portais, o tema Irã surgiu como parte do cenário de tensões internacionais. Alckmin afirmou que não havia, até então, “ordem executiva” definindo detalhes de eventual taxação vinculada a relações comerciais com o país, e avaliou que o Irã tem participação pequena no comércio exterior brasileiro.

Ele disse que o tema é acompanhado pelo Itamaraty, citando o chanceler Mauro Vieira: “Quem tem acompanhado esse trabalho é o Itamaraty”. Em resposta à Rádio Jornal, ao comentar a fala de uma entrevistadora que chamou o assunto de “bravata”, Alckmin mencionou o presidente Donald Trump, lembrando que se trata do atual presidente dos Estados Unidos, mas reforçou que, sem ato formal, não havia parâmetros claros de aplicação.

Paz, direito internacional e democracia: recados em meio à crise

Questionado sobre a escalada de crises e riscos de guerra, Alckmin defendeu que o Brasil deve atuar como país que promove a paz e o multilateralismo. “O Brasil é um país de paz… O que nós queremos é paz. Guerra leva a morte, leva a pobreza, é a falência da boa política”, afirmou.

Ele também defendeu princípios como respeito ao direito internacional e à democracia. Ao citar o jurista Sobral Pinto, declarou: “A ditadura é a apoteose da violência e é uma coisa inaceitável… Ela deve ser combatida em todo lugar, seja de esquerda ou seja de direita”.

Recorde de exportações, novos mercados e incentivo às pequenas empresas

Alckmin afirmou que o Brasil alcançou recorde de exportações em 2025, com US$ 348,7 bilhões, e corrente de comércio de US$ 629 bilhões, mesmo em um ano marcado por tensões tarifárias. Ele atribuiu o desempenho à diversificação e abertura de mercados. “Abriu e conquistou novos mercados”, disse.

O vice-presidente defendeu que o país reduza a concentração de exportações em grandes empresas e anunciou o programa Acredita Exportação, voltado a micro e pequenas empresas. “O governo deposita 3,1% do valor exportado de crédito tributário, 3,1%”, afirmou, citando apoio da ApexBrasil na capacitação.

Reforma tributária: “eficiência econômica aguardada há 40 anos”

No debate sobre competitividade, Alckmin chamou a reforma tributária de “eficiência econômica, aguardada há 40 anos”, destacando a unificação de tributos sobre consumo e a redução do chamado custo Brasil. Ele descreveu o sistema atual como complexo, citando a multiplicidade de regras do ICMS e do ISS.

O vice-presidente explicou que 2026 seria um período de testes do novo sistema, com implantação gradual e transição até 2032. Ele também citou estimativas de impacto para exportações, investimentos e PIB em horizonte de 15 anos, atribuindo os números a estudo mencionado por ele.

Indústria, agroindústria e energia limpa: biodiesel, etanol e logística

Ao falar de Mato Grosso, Alckmin defendeu agregar valor ao agro por meio de agroindústria e citou a elevação do percentual de biodiesel no diesel, que teria chegado a 15%, e o aumento do teor de etanol na gasolina para 30%, destacando o papel do Brasil na descarbonização e a força da frota flex.

Ele reforçou que logística é central para competitividade e mencionou projetos no Norte. Sobre o modal hidroviário, citou o Pedral do Lourenço, na região de Tucuruí, defendendo obras condicionadas a licenciamento ambiental. Na ferrovia, afirmou que é necessário avançar na Ferrogrão, para escoar produção do Centro-Oeste até o Pará.

MV Brasil e renovação de frota: crédito mais barato para caminhoneiros

Em resposta sobre estradas e transporte, Alckmin apresentou o Mov Brasil (MV Brasil) como política para renovar frota de caminhões, citando queda nos juros para financiamento e defendendo ganhos ambientais e de segurança. “Um caminhão desses novos Euro6 ele polui 40 vezes menos que um caminhão com mais de 20 anos”, afirmou, destacando que caminhões novos e seminovos podem ser financiados.

Minas Gerais, Codemig e terras raras: soberania e estratégia mineral

Sobre a dívida de Minas Gerais e propostas envolvendo participação na Codemig, Alckmin revisitou renegociações passadas e afirmou que novos mecanismos podem reduzir juros e aliviar contas estaduais. Em relação a minerais estratégicos, disse: “O Brasil tem a segunda reserva do mundo” de terras raras e que é preciso investir mais em mapeamento geológico, destacando o potencial mineiro.

Ele citou nióbio e lítio, mencionando produção no Vale do Jequitinhonha e a relevância do carbonato de lítio para baterias.

Carro sustentável: IPI zero para modelos de entrada

Ao comentar a indústria automobilística, Alckmin afirmou que o governo zerou o IPI do “carro sustentável” até 31 de dezembro, descrevendo exigências como ser carro de entrada, fabricado no Brasil, flex, limites de emissões e critérios de reciclabilidade. Ele listou modelos e montadoras que, segundo ele, atendem aos requisitos, e afirmou que a combinação de crédito, marco de garantias e redução de custos impulsionou vendas.

Nova Indústria Brasil e sustentabilidade: metas climáticas e Amazônia

No encerramento, Alckmin voltou ao acordo Mercosul–União Europeia como vetor de “desburocratização”, investimentos e sustentabilidade. Ele citou metas apresentadas pelo Brasil na COP 29 e reforçou compromissos com redução de emissões. Também destacou a centralidade da Amazônia e mencionou o lançamento do TFF, descrito por ele como um fundo privado de investimento para florestas.

“O acordo Mercosul–União Europeia… confirma… fortalece os compromissos do Brasil com a sustentabilidade e o combate às mudanças climáticas”, disse, ao alertar para o aquecimento global e defender redução de emissões como dever coletivo.

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