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Cerco a Fábio Luís e quebras de sigilo elevam pressão política sobre o governo às vésperas da campanha eleitoral

Autorização do STF para quebrar sigilos bancário, fiscal e telemático e decisão conturbada na CPI do INSS ampliam desgaste no Congresso

Presidente Lula em Brasília 11/2/2026 REUTERS/Mateus Bonomi (Foto: REUTERS/Mateus Bonomi)

247 – O avanço de investigações conduzidas pela Polícia Federal e a escalada de iniciativas no Congresso colocaram Fábio Luís Lula da Silva no centro das preocupações de auxiliares do presidente nesta quinta-feira (26), em um momento de alta sensibilidade política com a proximidade do calendário eleitoral.

A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo, em reportagem que relata a avaliação de integrantes do governo de que o caso pode ser explorado pela oposição e respingar na campanha à reeleição, apesar de o presidente ter defendido que as apurações sigam e reiterado: "Quem errou tem que pagar".

STF autoriza quebra de sigilos e governo é surpreendido

Segundo a reportagem, a pedido da Polícia Federal, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís. O pedido teria sido feito há cerca de um mês, mas só teria chegado ao conhecimento do governo nesta quinta-feira, por meio da imprensa, o que gerou desconforto interno.

A apuração envolve menções a Fábio Luís em investigações ligadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, personagem associado ao escândalo de descontos em benefícios previdenciários. Ele é apontado como alguém que teria supostamente facilitado fraudes em aposentadorias, no âmbito da Operação Sem Desconto.

De acordo com o texto, a Polícia Federal apura “citações atribuídas a Lulinha” nas investigações e comunicou o relator do inquérito no Supremo. Menções indiretas ao filho do presidente já haviam sido divulgadas em dezembro do ano passado e, segundo pessoas com conhecimento das apurações ouvidas pela reportagem, estavam sendo analisadas desde então.

CPI do INSS amplia tensão política

No Congresso, a CPI do INSS decidiu quebrar o sigilo de Fábio Luís em uma sessão descrita como conturbada. Governistas contestam a condução da votação e afirmam que a decisão está sendo questionada formalmente.

Aliados do presidente avaliam que o episódio pode ser instrumentalizado politicamente pela oposição, sobretudo em um ambiente pré-eleitoral. A blindagem de familiares do presidente vinha sendo considerada estratégica pela base governista na comissão.

Parlamentares da base alegam que a quebra de sigilo foi resultado de manobra do presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), e protocolaram pedido de anulação da deliberação.

Lula cobra explicações e reafirma defesa das investigações

Segundo a Folha, o presidente tem afirmado, em conversas reservadas, que as investigações devem prosseguir. Ele repete a frase já dita em entrevista: "Quem errou tem que pagar".

O próprio presidente contou, em entrevista ao portal UOL, que chamou o filho a Brasília para cobrar explicações. De acordo com o relato, Lula disse que ele pagará o preço caso tenha cometido algum delito. A conversa teria ocorrido em dezembro.

Ainda segundo a reportagem, Fábio Luís afirmou ao pai que está "100% tranquilo" e ironizou rumores sobre sua evolução patrimonial, questionando onde estariam sua "Ferrari de ouro" e sua "fazenda". Após o diálogo, Lula teria recomendado que ele se defendesse.

Governo reage a ofensiva em CPIs e tenta reorganizar base

O caso ocorre em paralelo a outras movimentações no Senado. Na quarta-feira (25), a CPI do Crime Organizado aprovou a quebra de sigilo de uma empresa ligada ao ministro do STF Dias Toffoli e o convite para que ele, Alexandre de Moraes e Viviane Barci compareçam para prestar esclarecimentos sobre o escândalo financeiro do Banco Master. Dois irmãos de Toffoli também foram convocados.

As decisões desagradaram ao governo, que criticou a ampliação do escopo da comissão e a inclusão de ministros do Supremo no debate. Inicialmente, havia proposta de convocação obrigatória, mas o Planalto articulou para que o instrumento fosse convertido em convite, de comparecimento facultativo.

Após as deliberações, a Secretaria de Relações Institucionais reuniu líderes governistas no Palácio do Planalto para discutir estratégias e definir quais parlamentares acompanharão o tema nas comissões. Participaram do encontro, segundo a reportagem, os senadores Randolfe Rodrigues (PT-AP), Humberto Costa (PT-PE), Soraya Thronicke (Podemos-MS) e Jaques Wagner (PT-BA).

Relação com Alcolumbre e indicação ao STF entram no radar

A reportagem também destaca o papel do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na tentativa de reduzir a tensão na Casa. Ele foi aliado importante do presidente ao longo do mandato, mas se afastou no fim do ano passado após a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF.

Alcolumbre defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A indicação de Messias ainda precisa ser aprovada pelo Senado, e um acordo político entre o presidente e o chefe da Casa é visto como essencial para viabilizar a confirmação.

Com investigações sob sigilo, decisões judiciais e ofensiva parlamentar simultâneas, o governo enfrenta um cenário de pressão política crescente, em que a gestão da crise no Congresso e o impacto eleitoral do caso passam a ser elementos centrais no curto prazo.

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