Lula anuncia R$ 9 bilhões em Minas e diz que investimentos vão recuperar potencial de refino da Regap
Presidente afirma que refinaria em Betim operava abaixo da capacidade e destaca ampliação da produção, transição energética e geração de 36 mil empregos
247 – O presidente Lula afirmou nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, em Betim (MG), que os novos investimentos da Petrobras em Minas Gerais vão recuperar o potencial de refino da Refinaria Gabriel Passos (Regap), que, segundo ele, vinha operando abaixo de sua capacidade. Durante visita à unidade, o presidente acompanhou o anúncio de R$ 9 bilhões em aportes da estatal no estado, com foco na ampliação da produção de combustíveis, na transição energética e na geração de empregos.
As informações foram divulgadas pela Agência Gov, via Planalto, ao relatar a agenda presidencial na Regap e os detalhes do pacote de investimentos da Petrobras para Minas Gerais. Do total anunciado, R$ 3,8 bilhões serão aplicados inicialmente em ações ligadas à refinaria dentro do atual Plano de Negócios da Petrobras para o período de 2026 a 2030.
Ao defender a retomada dos investimentos na unidade, Lula ressaltou que a refinaria havia sido subutilizada em anos anteriores. “Essa refinaria aqui estava produzindo apenas 60% daquilo que ela tinha capacidade de produzir. Isso é importante para vocês saberem, porque muitas vezes a gente se esquece das coisas ruins que outros fizeram e a gente acha que tudo sempre foi maravilhoso”, declarou o presidente, ao mencionar o período de desinvestimento.
Na mesma linha, Lula afirmou que a refinaria deverá elevar significativamente sua produção. “É preciso que a gente construa nesse país o bom senso de acreditar na verdade. E o que está acontecendo hoje aqui, em Minas Gerais, é que a gente está dizendo o seguinte: essa refinaria não vai ficar produzindo só 170 ou 200 [mil]. Ela vai chegar a 240 mil barris de produção de petróleo”, disse.
Regap amplia papel estratégico em Minas Gerais
A visita presidencial reforça o peso da Regap no plano de expansão da Petrobras em Minas Gerais. A expectativa apresentada durante o evento é de que a refinaria e outras iniciativas da companhia no estado gerem cerca de 36 mil empregos ao longo de dez anos. Apenas na etapa inicial dos investimentos na refinaria, a previsão é de criação de aproximadamente 8 mil postos de trabalho.
Com capacidade atual de processamento de 166 mil barris de petróleo por dia, a Regap responde por cerca de 9% da produção de derivados da Petrobras. Em 2026, já foram iniciadas as obras de um projeto de aumento de capacidade em 25 mil barris por dia, com entrada em operação prevista para 2027. Além disso, a companhia estuda uma ampliação adicional de 59 mil barris por dia, o que poderá elevar em 50% a capacidade atual da unidade.
Os aportes, segundo a Petrobras, devem impulsionar não apenas a produção, mas também a cadeia regional de fornecedores e serviços. A estatal informou que mantém 16 mil fornecedores cadastrados, 480 contratos ativos e cerca de R$ 28 bilhões contratados, o que amplia o alcance econômico da refinaria em Minas Gerais.
Petrobras destaca retomada da produção e lucro maior em 2025
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, também enfatizou a mudança no desempenho operacional da refinaria nos últimos anos e indicou que a empresa avalia expandir ainda mais a capacidade de refino da unidade no futuro próximo.
“Essa refinaria aqui, poucos anos atrás, produzia com 60% da sua capacidade. Uma refinaria que tem a capacidade de 170 mil barris de capacidade de processamento, produzia apenas 60% disso. Os investimentos voltaram e essa refinaria está produzindo 100%. Até o fim do ano que vem ela vai estar produzindo 200 mil barris de petróleo por dia”, afirmou Chambriard.
Ela também destacou os resultados financeiros da Petrobras em meio ao cenário internacional de volatilidade no mercado de petróleo. “Nosso lucro em 2025, apesar da queda brusca do preço do petróleo, foi 200% maior do que o lucro de 2024. Isso mostra o trabalho que estamos entregando para a sociedade brasileira. A nossa premissa básica é evitar o repasse do nervosismo internacional e da volatilidade do preço internacional para o mercado brasileiro”, disse.
A fala da presidente da Petrobras reforça a estratégia do governo federal de combinar expansão operacional, proteção ao mercado doméstico e retomada de investimentos em ativos considerados estratégicos para a soberania energética do País.
Usina solar e combustíveis mais limpos reforçam transição energética
Um dos principais anúncios feitos na Regap foi o início da operação da primeira usina fotovoltaica instalada em uma refinaria da Petrobras. O projeto recebeu investimento de R$ 63 milhões e conta com cerca de 20 mil placas solares distribuídas em 24 hectares.
A capacidade de geração da usina é de 13,3 mil kW, volume suficiente para atender ao consumo de aproximadamente 10 mil residências. Segundo a Petrobras, a entrada em operação da estrutura deverá reduzir em 20% o gasto de energia da refinaria.
Além do efeito econômico, a empresa projeta ganhos ambientais relevantes. Com a substituição parcial da energia elétrica gerada por combustível fóssil, a expectativa é evitar a emissão de aproximadamente 8 mil toneladas de CO2 por ano. O projeto foi financiado com recursos do Fundo de Descarbonização da Petrobras, criado para apoiar ações de redução de emissões nas operações da companhia.
A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de transformação do parque de refino da estatal. O modelo da usina fotovoltaica da Regap está sendo replicado também nas Refinarias Abreu e Lima, em Ipojuca (PE), e de Paulínia, em São Paulo, ambas com usinas solares em construção.
SAF, Diesel R e biodiesel entram no centro da nova estratégia
A agenda anunciada para a Regap não se limita ao aumento da produção tradicional de derivados. A refinaria passa por processo de implantação do combustível sustentável de aviação, o SAF, para atender à Lei do Combustível do Futuro e às exigências da aviação civil internacional.
A unidade também já realizou as adequações operacionais necessárias para iniciar a produção do Diesel R, combustível com conteúdo renovável. A medida, segundo a Petrobras, reforça o compromisso com fontes energéticas de menor impacto ambiental.
Outro eixo destacado é o fortalecimento da Petrobras Biocombustível, com a produção de biodiesel 90% renovável. Os investimentos incluem ainda ações voltadas à modernização da refinaria e ao crescimento econômico da região, numa combinação entre segurança energética, inovação industrial e descarbonização.
A retomada dos aportes ocorre após a Regap ter passado por processo de desinvestimento no governo anterior. Agora, a refinaria volta a ocupar posição central na estratégia da Petrobras, tanto no aumento da produção quanto na redução de emissões e na diversificação de combustíveis.
Governo diz que vai proteger consumidores da volatilidade internacional
Durante a agenda em Betim, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o Governo Federal tem adotado medidas para proteger os consumidores brasileiros dos efeitos das oscilações do mercado internacional do petróleo, especialmente em um contexto de tensões e conflitos externos.
“Infelizmente nós estamos enfrentando essa flutuação, mas o Brasil não deixou de tomar as medidas necessárias para poder impedir que os brasileiros paguem pela guerra”, disse o ministro.
Silveira também afirmou que o governo intensificou a fiscalização sobre o setor de combustíveis para conter abusos e garantir o abastecimento. “O Governo Federal estará presente defendendo consumidores de combustíveis no Brasil e de suprimento”, declarou.
A sinalização política feita em Betim procura consolidar uma narrativa de reconstrução da capacidade produtiva nacional, com a Petrobras novamente posicionada como instrumento de desenvolvimento econômico, geração de empregos e estabilidade no abastecimento de combustíveis.
Ao apostar na ampliação da Regap, na energia solar e em combustíveis mais limpos, o governo busca transformar uma refinaria que, segundo Lula e a direção da estatal, operava de forma subutilizada em um polo de expansão industrial e transição energética em Minas Gerais.

