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Lula espera renúncia de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado

Aliados afirmam que presidente considera permanência do senador insustentável e espera renúncia nos próximos dias

Jaques Wagner e Lula (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil | Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que a permanência do senador Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado se tornou insustentável após a operação da Polícia Federal que atingiu o parlamentar. Segundo informações publicadas pela Folha de São Paulo, ministros e aliados do presidente passaram a atuar nos bastidores para convencer Wagner a deixar o cargo por iniciativa própria.

Lula não pretende destituir diretamente o senador da função, mas espera que ele apresente sua renúncia nos próximos dias. A expectativa entre integrantes do governo é de que essa decisão seja anunciada ainda nesta sexta-feira (19) ou, no mais tardar, na próxima segunda-feira (22).

A movimentação ganhou força após a Polícia Federal deflagrar uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master. A ação cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo aliados de Lula, o presidente telefonou duas vezes para Jaques Wagner na quinta-feira (18), logo após a operação policial. As conversas, no entanto, teriam sido marcadas por manifestações de solidariedade ao senador e não avançaram para discussões sobre uma eventual substituição na liderança governista.

Integrantes do governo afirmam que o gesto de apoio de Lula não representa uma garantia de permanência de Wagner no posto. A interpretação predominante entre auxiliares presidenciais é que o senador deveria deixar o cargo alegando a necessidade de concentrar esforços em sua defesa diante das investigações.

Ainda segundo relatos de aliados do presidente, Lula teria sugerido que Wagner concedesse entrevistas para apresentar sua versão dos fatos. No entanto, dentro do Palácio do Planalto, a avaliação é de que os esclarecimentos oferecidos até agora não foram suficientes para encerrar o desgaste político provocado pelo caso.

Em entrevista à BandNews TV, Jaques Wagner destacou a confiança que diz receber do presidente. Ao comentar um dos telefonemas recebidos de Lula, o senador declarou: "Ele fez questão de me ligar, se solidarizar comigo".

Questionado sobre sua situação no governo, Wagner afirmou que não vê motivos para deixar a liderança. "A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje, e eu acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim", disse.

Apesar da declaração, aliados do presidente ouvidos pela Folha consideraram que a entrevista transmitiu uma mensagem acima do que efetivamente foi discutido entre os dois. Segundo essas fontes, não existe qualquer decisão tomada por Lula em favor da manutenção de Wagner no cargo.Nos bastidores, integrantes do governo também demonstram preocupação com os possíveis efeitos políticos da operação. A avaliação é que a investigação envolvendo o líder governista pode reforçar argumentos da oposição, especialmente após a divulgação de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre a obtenção de recursos para o filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A operação da Polícia Federal realizou buscas em endereços ligados a Jaques Wagner e a outros investigados em Salvador, além de um hotel em Brasília onde o senador reside. Os agentes também estiveram em um endereço na capital baiana vinculado a Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner, e à esposa dele, Bonnie Bonilha.

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