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Lula pede união contra desigualdade e extremismo: "temos que substituir o desalento pelo sonho. O ódio pela esperança"

Na Espanha, presidente critica austeridade, defende a democracia e cobra união progressista contra o extremismo e à desigualdade global

Presidente Lula durante a 1ª Reunião da Mobilização Progressista Global, realizado na Feira de Barcelona. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a união internacional para enfrentar a desigualdade e conter o avanço do extremismo ao participar, neste sábado (18), do encerramento da Mobilização Progressista Global, em Barcelona, na Espanha. O evento reuniu líderes políticos de diversos países para debater democracia, justiça social e cooperação global. Em seu discurso, Lula destacou a necessidade de fortalecer a mobilização progressista e reafirmar valores democráticos diante do crescimento de discursos de ódio e da instabilidade internacional.

Críticas ao neoliberalismo e à austeridade

Durante o discurso, o presidente fez críticas ao modelo econômico neoliberal e aos seus impactos sociais. “O projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança. Provocou crise atrás de crise. Ainda assim, nós sucumbimos à ortodoxia. Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo. Governos de esquerda praticam a austeridade”, afirmou.

Ele também avaliou que esse cenário abriu espaço para o fortalecimento da extrema direita. “A extrema direita soube capitalizar o mal-estar das promessas não cumpridas do neoliberalismo. Canalizou a frustração das pessoas inventando bodes expiatórios”, declarou.

Defesa da democracia e do multilateralismo

Lula ressaltou a importância de uma mobilização permanente em defesa da democracia. “O que nós estamos fazendo aqui é o começo de um movimento que tem que agir todo santo dia, durante toda a semana, todo mês e durante 365 dias por ano, para que a gente restabeleça a coisa mais sagrada no mundo, que é a democracia e o multilateralismo”, disse.

O presidente também defendeu mudanças nas instituições internacionais. “É defender que a paz prevaleça sobre a força. É criar um sistema em que as regras valham para todos”, afirmou.

Redes digitais e combate à desinformação

Ao abordar o papel das redes sociais, Lula alertou para a disseminação de desinformação e ataques à democracia. “A extrema direita grita, mente e ataca. Não podemos ter medo de falar mais alto, de expor a verdade dos fatos, de contrapor argumentos”, afirmou.

Ele também mencionou riscos concretos ao sistema democrático. “O risco que a extrema direita representa à democracia não é retórico, é real. No Brasil, ela planejou um golpe de Estado”, disse.

Compromisso com igualdade

O presidente destacou que a coerência deve orientar a atuação política. “Não podemos nos eleger com um programa e implementar outro. Não podemos trair a confiança do povo”, afirmou. Segundo ele, a população busca melhores condições de vida e acesso a serviços essenciais. “O que faz de nós progressistas é escolher a igualdade. Nosso lema deve ser estar sempre do lado do povo”, declarou.

Mensagem final de esperança

Ao encerrar o discurso, Lula reforçou o caráter contínuo da democracia. “A democracia não é um destino, é uma construção cotidiana. Ela precisa ir além do voto e trazer benefícios concretos para a vida das pessoas. Não há democracia quando um pai não sabe de onde tirar seu próximo prato de comida. Não há democracia quando um neto perde o avô na fila de um hospital. Não há democracia quando uma mãe passa horas em um ônibus lotado e não consegue dar um beijo de boa noite em seus filhos. Não há democracia quando alguém é discriminado pela cor da sua pele. Quando uma mulher morre por ser mulher. Temos que substituir o desalento pelo sonho. O ódio pela esperança”, afirmou.

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