Manifesto do PT aponta crise do neoliberalismo e propõe novo projeto de soberania para o Brasil
Documento defende reeleição do presidente Lula, reformas estruturais e protagonismo do país em uma ordem multipolar
247 – O Partido dos Trabalhadores lançou um amplo manifesto político que projeta os rumos do Brasil diante de uma “mudança de época” marcada pela crise do neoliberalismo, pela instabilidade global e pelo avanço de forças autoritárias. O documento, intitulado “Construindo o futuro: Manifesto do PT para seguir transformando o país”, sustenta que o modelo econômico dominante falhou em garantir bem-estar social e propõe um novo ciclo de desenvolvimento baseado em soberania, justiça social e protagonismo internacional.
Logo na abertura, o texto afirma que o mundo atravessa uma crise estrutural do capitalismo contemporâneo, com impactos sobre a democracia, a economia e as condições de vida da população. Segundo o manifesto, “a promessa neoliberal de crescimento econômico, estabilidade e bem-estar mostrou-se incapaz de oferecer futuro para a maioria”, resultando em desigualdade, precarização do trabalho e enfraquecimento institucional.
Crise global e disputa de poder
O documento faz uma leitura geopolítica contundente ao apontar o declínio da hegemonia dos Estados Unidos e a intensificação de conflitos internacionais. Segundo o texto, o cenário global é marcado por guerras, sanções e disputas tecnológicas, com impactos diretos sobre países periféricos.
O manifesto critica a atuação do governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, especialmente pelo uso de tarifas comerciais e pela postura agressiva em conflitos internacionais. Em contraposição, destaca o papel do Brasil sob a liderança do presidente Lula como defensor da paz, da cooperação internacional e do multilateralismo.
Reconstrução nacional após período de destruição
O texto sustenta que o governo anterior promoveu um processo de “destruição nacional”, com desmonte do Estado, agravamento da crise social e retorno do Brasil ao Mapa da Fome. Nesse contexto, o manifesto apresenta o atual governo como responsável pela reconstrução do país.
Entre os avanços destacados estão a retomada de programas sociais, a valorização do salário mínimo, a redução da pobreza e do desemprego, o crescimento econômico médio superior ao do período anterior e o controle da inflação. O documento também menciona expansão de investimentos em saúde e educação, aumento do crédito, crescimento da produção industrial e recordes na agricultura e no turismo.
Defesa da soberania tecnológica e industrial
Um dos pontos centrais do manifesto é a defesa da soberania nacional no campo tecnológico. O texto destaca a importância estratégica das terras raras e critica o papel do Brasil como exportador de commodities sem agregação de valor.
O partido propõe que o país controle toda a cadeia produtiva desses minerais, essenciais para tecnologias avançadas, transição energética e defesa, garantindo empregos qualificados e autonomia estratégica.
Novo projeto de desenvolvimento nacional
O manifesto afirma que o Brasil precisa avançar além dos resultados já obtidos e atualizar seu projeto de país. Para isso, propõe a construção de um “bloco democrático-popular”, reunindo trabalhadores, empresários comprometidos com o desenvolvimento nacional e movimentos sociais.
Esse projeto tem como pilares a industrialização, a transição ecológica, o fortalecimento do Estado e a superação da hegemonia do rentismo financeiro.
Reformas estruturais propostas
O documento apresenta um conjunto de reformas consideradas essenciais para viabilizar o novo ciclo de desenvolvimento:
- Reforma política e eleitoral para ampliar a participação popular
- Reforma tributária para reduzir desigualdades e tributar super-ricos
- Reforma tecnológica para garantir soberania digital e regular plataformas
- Reforma do Judiciário com mecanismos de democratização
- Reforma administrativa para fortalecer a capacidade do Estado
Essas medidas se articulam a três eixos estratégicos: reconstrução do papel do Estado, crescimento com distribuição de renda e transformação produtiva sustentável.

Direitos sociais e novo pacto social
O manifesto propõe a universalização de direitos como educação em tempo integral, creches, saúde, segurança alimentar e mobilidade urbana. Também defende igualdade de gênero e racial, além da ampliação de políticas culturais e sociais.
No campo do trabalho, o texto enfatiza a valorização do emprego digno e incorpora a luta pelo fim da escala 6x1 como parte de um projeto de soberania e qualidade de vida.
Disputa política e enfrentamento da extrema-direita
O documento alerta para o avanço global da extrema-direita e do fascismo, impulsionado por desinformação e frustração social. Nesse cenário, afirma que a reeleição do presidente Lula será decisiva para o futuro do Brasil e para o equilíbrio político na América Latina.
O manifesto sustenta que não há democracia sustentável sem redução das desigualdades e que a ausência de transformações estruturais abre espaço para projetos autoritários.
Organização partidária e estratégia
Internamente, o texto propõe o fortalecimento da organização de base do PT, com maior presença nos territórios e renovação de lideranças. Defende também maior participação das mulheres, limite de mandatos internos e novas formas de organização da classe trabalhadora.
Compromisso com um novo projeto histórico
O manifesto conclui reafirmando o compromisso do Partido dos Trabalhadores com a construção de um novo projeto histórico para o Brasil, baseado na democracia, na soberania e na justiça social.
O documento posiciona o país como ator central na construção de uma ordem internacional mais equilibrada, defendendo um mundo multipolar, pacífico e comprometido com a igualdade de direitos.
Principais pontos do manifesto
- Crítica estrutural ao neoliberalismo e à concentração de riqueza
- Defesa da soberania nacional, especialmente em tecnologia e recursos estratégicos
- Avaliação positiva do governo Lula e da reconstrução pós-2018
- Proposta de reeleição do presidente Lula como eixo central
- Construção de um bloco democrático-popular amplo
- Defesa da industrialização e da transição ecológica
- Universalização de direitos sociais
- Combate ao rentismo e à financeirização
- Proposição de cinco reformas estruturais
- Enfrentamento da extrema-direita e do autoritarismo
- Fortalecimento da organização partidária e renovação interna
- Compromisso com um projeto de desenvolvimento soberano e inclusivo


