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Wellington Dias defende aproximação de Lula com o centro para eleições e 4º mandato

Ministro diz que campanha de Lula deve construir alianças estaduais para garantir governabilidade, mirando maioria simples na Câmara e Senado

Lula e Wellington Dias (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
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247 - O ministro Wellington Dias (PT), do Desenvolvimento Social, afirmou que a campanha à reeleição do presidente Lula (PT) deverá investir em uma articulação política mais ampla, com palanques estaduais capazes de aproximar setores do centro e fortalecer a governabilidade em um eventual novo mandato. Em entrevista ao jornal O Globo, Dias, que atuará na coordenação da campanha de Lula no Nordeste, disse que o governo precisa corrigir falhas na relação com aliados e reconheceu que o terceiro mandato não conseguiu consolidar uma maioria simples na Câmara e no Senado. Ex-governador do Piauí e senador licenciado, ele defendeu uma reorganização da base política a partir dos estados, e não apenas por decisões tomadas em Brasília.

O ministro afirmou que a estratégia eleitoral deve incluir mais de um palanque em diferentes unidades da federação. Segundo ele, a composição política brasileira exige uma leitura local das alianças, já que há partidos e lideranças que atuam de maneira diferente no plano federal e nos estados.

“Hoje não está claro, tem gente que é governo em Brasília e oposição no estado, ou o contrário. Hoje, temos palanques nos estados muito melhores do que tínhamos em 2022”, declarou.

Dias disse que a montagem dos palanques deve levar em conta o compromisso efetivo de cada força política com o projeto liderado por Lula. Para ele, o erro foi tentar resolver a organização partidária apenas pela cúpula nacional.

“Você tem que compor com quem tem compromisso com o projeto. Os que se diziam governo, mas não atuavam assim, precisarão tomar a decisão. E isso está acontecendo. Estamos trabalhando com mais de um palanque em vários estados: Maranhão, Paraíba, Pernambuco…”, afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de duplo palanque em Pernambuco, Dias confirmou a articulação envolvendo João Campos e Raquel Lyra. O ministro lembrou que a governadora teve uma postura distinta ao longo da eleição de 2022.

“Sim. Lá temos o João Campos e a Raquel Lyra. Vamos lembrar que ela se colocou primeiro como oposição (em 2022) e no segundo turno teve uma posição mais de neutralidade, mas uma parte considerável do nosso time ficou com ela”, disse.

Maioria no Congresso

Wellington Dias apontou como principal erro político do atual mandato a tentativa de buscar uma base de dois terços no Congresso, meta que, segundo ele, era inviável. Na avaliação do ministro, o governo deveria ter concentrado esforços na formação de uma maioria simples, suficiente para aprovar a maior parte das matérias em tramitação.

“A obsessão de ter dois terços na Câmara e no Senado, que era impossível, fez com que a gente não valorizasse a chance que tínhamos de ter acima de 257 votos na Câmara e acima de 41 no Senado”, afirmou.

O ministro disse que Lula saiu da eleição de 2022 com uma base potencial que poderia ter sido melhor consolidada. Segundo ele, havia 39 senadores e 242 deputados eleitos que, de alguma forma, apoiaram o presidente no primeiro ou no segundo turno.

“A gente saiu do resultado da eleição de 2022 com 39 senadores. Bastava que a gente cuidasse bem deles, buscasse dialogar com mais parlamentares e teríamos uma maioria simples que é o que um governo precisa para 95% das matérias que chegam ao Parlamento”, declarou.

Dias também defendeu que a construção dessa maioria passe por palanques estaduais mais próximos do centro político. Ele citou exemplos de estados em que lideranças de esquerda são apoiadas por forças de centro e outros em que o centro recebe apoio da esquerda.

“Nós já estamos organizando os palanques. Temos lugares em que é um líder da esquerda apoiado pelo centro, como na Bahia, no Piauí, no Ceará. Mas a maior parte dos palanques é o centro apoiado pela esquerda. Rio de Janeiro, Amazonas, Pará por exemplo”, afirmou.

Relação com Davi Alcolumbre e STF

Na entrevista, Wellington Dias defendeu a prerrogativa de Lula de reenviar o nome de Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. O tema ocorre em meio ao distanciamento político entre o presidente e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá.

“É possível reenviar o nome e um direito do presidente da República. Precisamos alcançar os votos que faltaram para ter a maioria, por meio de diálogo com Alcolumbre e senadores e senadoras”, disse.

O ministro também afirmou acreditar em uma reaproximação entre Lula e Alcolumbre. Para ele, o presidente do Senado tem papel relevante na política do Amapá e integra um campo que, no estado, apoia Lula.

“Sim. Davi Alcolumbre é, em primeiro lugar, do estado do Amapá, e lá ele é parte do campo político que apoia o presidente Lula. Além de tudo, é um líder que tem compromisso com o Brasil”, declarou.

Dias reconheceu que houve momentos de tensão desde 2023, mas afirmou que o diálogo já permitiu a retomada de relações políticas em outras ocasiões.

“De 2023 para cá, nós tivemos vários momentos de tensão gerados por vários fatores. E reabrimos, através do diálogo, boas relações que resultaram em mudanças profundas e projetos que fizeram o Brasil avançar”, disse.

Comunicação do governo

O ministro também comentou as críticas à comunicação do governo. Segundo ele, a dificuldade está ligada à ausência de uma base política suficientemente articulada e sintonizada nos estados.

“Não é fácil conduzir uma orquestra de comunicação governamental sem ter uma orquestra afinada, que chegue em cada canto. A eleição agora vai dizer qual é o time do governo”, afirmou.

Para Dias, a definição dos palanques em 2026 ajudará a deixar mais clara a composição política do governo e a relação entre partidos, lideranças locais e o projeto nacional de Lula.

Críticas a Flávio Bolsonaro

Wellington Dias fez críticas duras ao senador Flávio Bolsonaro, do PL, ao comentar a disputa presidencial e a revelação de um áudio em que o parlamentar cobrava dinheiro de Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro (PL). O ministro afirmou que a campanha de Lula não pretende interferir na formação da chapa adversária.

“Aprendemos a não buscar nem ter qualquer iniciativa ou desejo sobre organização de chapa adversária. Nós temos a firmeza de uma chapa com dois líderes muito experientes, o presidente Lula e Alckmin”, afirmou.

Dias disse ainda que a eleição terá peso na separação entre política e crime organizado. Ao citar Vorcaro, o ministro fez uma declaração crítica sobre a relação do empresário com diferentes interesses.

“Como uma autoridade do Senado ou da Câmara ou governador se mete com o PCC, com lavagem de dinheiro, com Vorcaro? Como é que se envolve com tantas linhas criminosas? O Vorcaro é como um posto Ipiranga do crime no Brasil. Precisa de uma mesada? Fala com o Vorcaro. Precisa fazer um filme de papai? Fala com o Vorcaro”, declarou.

PCC, Comando Vermelho e Estados Unidos

O ministro também comentou a decisão do governo Donald Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, medida que, segundo a entrevista, o governo brasileiro tentava evitar. Dias associou a decisão à viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para se reunir com Trump.

“Nada mais claro entre tantos passos do pré-candidato Flávio Bolsonaro como esse de abafar o escândalo do Master”, afirmou.

O ministro classificou a iniciativa como contrária ao interesse nacional e disse que ela pode trazer prejuízos econômicos ao país.

“Uma medida irresponsável, antipatriota, que coloca o interesse individual, familiar, de pequenos grupos acima do interesse maior do povo brasileiro”, declarou.

Dias defendeu a atuação do governo Lula no enfrentamento ao crime organizado e disse que a estratégia brasileira tem buscado atingir as estruturas financeiras dessas organizações.

“Veja que o presidente do Brasil, legitimamente, esteve com o presidente dos EUA, e acertaram trabalhar juntos sobre esse tema. Estamos falando de um momento em que, seguindo o caminho do dinheiro, mais se atingiu o PCC e o Comando Vermelho”, afirmou.

Ao comentar se a decisão dos Estados Unidos dificultaria a comunicação do governo diante de ataques da oposição, Dias afirmou que os adversários é que precisam se explicar.

“Quem mais atingiu o coração do crime foi o governo Bolsonaro ou foi o governo Lula? Quem mais prendeu criminosos? Quem mais teve a coragem de alcançar os grandões do crime? Foi o governo do presidente Lula. Acho que aqui se tenta abafar, esconder o elo entre criminosos do Master com o PCC. Quem tem que se explicar são eles”, disse.

Bolsa Família

Wellington Dias também foi questionado sobre a possibilidade de aumento do valor do Bolsa Família. O ministro afirmou que uma eventual mudança não será decidida em 2026 e que o tema ficará para a discussão do Orçamento de 2027.

“É uma decisão que não será para este ano de 2026. Vamos tratar quando o governo for falar do Orçamento de 2027, que é a hora que podemos avaliar que mudanças podemos fazer”, afirmou.

Segundo ele, não há, neste momento, motivo para alteração imediata no benefício. O ministro disse que a discussão deverá ocorrer depois das eleições e fora do debate eleitoral.

“A princípio não há razão para alteração neste momento. Essa discussão acontece em outubro, em novembro, depois das eleições e fora de qualquer discussão política, é uma discussão mais técnica. Será uma decisão do presidente Lula”, declarou.

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