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Estudos indicam benefícios do canabidiol em tratamentos infantis

Dados apontam avanços clínicos em diferentes quadros neurológicos, além de um perfil considerado seguro no tratamento feito com acompanhamento médico

Cannabis (Foto: Divulgação)

247 - Estudos científicos recentes têm ampliado o debate sobre o uso do canabidiol (CBD) no tratamento de doenças neurológicas em crianças. Pesquisas publicadas nos últimos anos indicam benefícios terapêuticos do composto derivado da Cannabis sativa em condições como epilepsia refratária e Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Reportagem publicada por Bianca Lucca no Correio Braziliense nesta terça-feira (10) reúne resultados de estudos que analisam os efeitos do CBD em pacientes pediátricos. Os dados apontam avanços clínicos em diferentes quadros neurológicos, além de um perfil considerado seguro quando o tratamento é realizado com acompanhamento médico.

Uma meta-análise divulgada em 2023 na revista científica Experimental Neurology destacou os benefícios do canabidiol como terapia complementar em crianças que convivem com epilepsias associadas à esclerose tuberosa. A revisão de estudos reforça evidências de eficácia do composto na redução de crises epilépticas nesses pacientes.

No Brasil, uma pesquisa clínica conduzida pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) também investigou o uso do CBD em crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista. O estudo foi publicado em 2024 na revista Trends in Psychiatry and Psychotherapy e avaliou os efeitos de um extrato rico em canabidiol em 60 crianças.

Segundo os pesquisadores, o tratamento apresentou resultados positivos em áreas como interação social, ansiedade e comportamento. Os efeitos adversos relatados foram considerados leves e apareceram em menos de 10% dos participantes do estudo.

Reconhecimento por organismos internacionais

Diversas instituições internacionais e autoridades regulatórias já analisaram o potencial terapêutico do canabidiol. Organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a agência reguladora norte-americana FDA e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reconhecem o CBD como uma opção terapêutica válida em determinados casos.

No Brasil, o uso medicinal do composto é regulamentado pela RDC nº 327/2019 da Anvisa. A norma estabelece que produtos à base de cannabis podem ser utilizados mediante prescrição médica e acompanhamento profissional adequado.

Composto não psicoativo

O canabidiol é um dos principais compostos encontrados na planta Cannabis sativa. Diferentemente do tetrahidrocanabinol (THC), o CBD não possui efeitos psicoativos e não provoca dependência.

Avaliações realizadas pela Organização Mundial da Saúde em 2018, além de revisões científicas mais recentes, como as publicadas em 2023 na JAMA Network Open, apontam que o composto apresenta boa tolerabilidade e baixa incidência de efeitos adversos.

Para o médico Felipe Nascimento, parceiro da Click Cannabis, o uso terapêutico do CBD precisa seguir critérios clínicos rigorosos. “O CBD não altera a consciência nem o comportamento”, afirma.

Ele acrescenta que o acompanhamento médico é fundamental para garantir a segurança do tratamento. “Quando indicado com critério correto e acompanhado de perto, pode representar uma alternativa segura em quadros graves, como as epilepsias refratárias”.

A Click Cannabis atua no Brasil como uma healthtech voltada ao acesso à cannabis medicinal, oferecendo uma plataforma de telemedicina com foco em soluções inovadoras para o setor de saúde.

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