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Bancada do PT estuda relatório alternativo na CPMI do INSS, diz Rogério Correia

O parlamentar afirma que partido prepara documento alternativo ao do relator Alfredo Gaspar e acusa adversários de tentar desgastar Lula. Vídeo

Rogério Correia (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

247 - O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou nesta quinta-feira (26) que a bancada do Partido dos Trabalhadores estuda apresentar um relatório alternativo na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, em contraposição ao documento elaborado pelo relator oficial, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). A declaração foi dada pelo parlamentar em entrevista a jornalistas e representa uma movimentação relevante da base governista dentro da comissão.

Segundo Correia, a iniciativa busca garantir que a narrativa do PT sobre as origens do esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social seja devidamente registrada nos trabalhos da CPMI. O deputado petista reforçou que o rombo previdenciário teve início durante o governo Michel Temer (2016-2018) e se estendeu pela gestão de Jair Bolsonaro (PL), posicionamento que, segundo ele, não estaria adequadamente contemplado no relatório do relator indicado pela oposição.

O parlamentar também denunciou o que classifica como uma instrumentalização política do escândalo. Para Correia, setores da oposição ao governo federal estariam utilizando as investigações sobre as irregularidades no INSS como ferramenta de desgaste ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), desviando o foco das responsabilidades dos governos anteriores.

Ironia a medidas golpistas

Em outro ponto de sua fala, o deputado fez uma crítica direta ao comportamento de parlamentares oposicionistas em relação ao Supremo Tribunal Federal. Correia afirmou que parte da oposição age movida pelo receio de responder judicialmente perante a Corte. "É no sentido de dizer: o Supremo não vale nada e vamos fechar com um cabo e dois soldados", declarou o deputado.

A referência remete a uma polêmica declaração do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), feita em 2018, antes do primeiro turno das eleições presidenciais. Na ocasião, ainda filiado ao PSL, Eduardo Bolsonaro afirmou, durante uma palestra para estudantes, que seria simples fechar o STF caso seu pai, Jair Bolsonaro, fosse impedido de tomar posse por decisão da Corte. "Se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo", disse o então deputado eleito.

O contexto da frase era uma resposta a questionamentos da plateia sobre uma possível reação das Forças Armadas caso o Judiciário barrasse a posse de Jair Bolsonaro. A declaração gerou ampla repercussão à época e voltou ao debate público com a menção feita por Correia nesta quinta-feira, evidenciando o clima de confronto político que envolve os trabalhos da CPMI do INSS.

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