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Banco Central enviou 18 notificações ao Banco Master entre 2019 e 2024

O Banco Master passou a atrair investidores oferecendo Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas muito acima das praticadas no mercado

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, durante evento ReutersNEXT Newsmaker, em Nova York 09/11/2023 REUTERS/Brendan McDermid (Foto: REUTERS/Brendan McDermid)

247 - O Banco Central emitiu ao menos 18 alertas ao Banco Master entre fevereiro de 2019 e dezembro de 2024, período em que Roberto Campos Neto presidia a autoridade monetária. Os comunicados foram enviados ao longo de cinco anos, acompanhando a rápida expansão das operações do banco no mercado de investimentos.

A informação foi divulgada nesta quinta-feira (5) pela revista Piauí, que detalhou o histórico de notificações e apontou o crescimento acelerado da instituição após receber autorização para iniciar suas atividades.

Segundo a publicação, o Banco Master passou a atrair investidores oferecendo Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas muito acima das praticadas no mercado. Em 2019, primeiro ano de atuação, o volume de CDBs somava R$ 2,5 bilhões. Em 2024, esse montante teria alcançado R$ 40 bilhões, indicando uma escalada significativa na captação de recursos.

O banco, conforme relatado, prometia retornos de até 140% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), percentual que foge do padrão adotado por outras instituições financeiras. Em geral, o mercado costuma trabalhar com remunerações próximas a 100% do CDI, o que torna ofertas acima disso um sinal de risco elevado e de busca agressiva por captação.

A revista também destacou questionamentos internos sobre a capacidade do banco de se adequar às exigências regulatórias mesmo após sucessivos alertas do BC. “A pergunta é: um banco que não se enquadra depois de receber dezoito ofícios do BC ainda tinha chances de se corrigir?”, afirmou, em tom irônico, um ex-funcionário do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O FGC é a entidade responsável por ressarcir investidores em caso de quebra de instituições financeiras, com cobertura de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, dentro das regras estabelecidas pelo sistema.

Investigação da PF

Além dos alertas regulatórios, o Banco Master também aparece entre os alvos de apuração da Polícia Federal. A instituição é citada em investigações conduzidas no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras de grande escala.

De acordo com a PF, o esquema investigado pode ter movimentado até R$ 17 bilhões, reforçando a gravidade das suspeitas envolvendo operações financeiras e possíveis irregularidades no sistema de captação e movimentação de recursos.

Ressarcimento

A situação também levanta preocupação sobre o impacto financeiro para investidores. As estimativas indicam que cerca de 800 mil clientes devem ser ressarcidos, com valores que podem chegar a R$ 40,6 bilhões.

O número, embora expressivo, é menor do que as projeções iniciais, quando se cogitava que aproximadamente 1,6 milhão de investidores poderiam ser afetados pela quebra do Banco Master. Ainda assim, o volume potencial de ressarcimentos evidencia o tamanho do rombo e a dimensão do caso, que envolve tanto a atuação regulatória do Banco Central quanto investigações criminais em andamento.

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