Banco Central enviou 18 notificações ao Banco Master entre 2019 e 2024
O Banco Master passou a atrair investidores oferecendo Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas muito acima das praticadas no mercado
247 - O Banco Central emitiu ao menos 18 alertas ao Banco Master entre fevereiro de 2019 e dezembro de 2024, período em que Roberto Campos Neto presidia a autoridade monetária. Os comunicados foram enviados ao longo de cinco anos, acompanhando a rápida expansão das operações do banco no mercado de investimentos.
A informação foi divulgada nesta quinta-feira (5) pela revista Piauí, que detalhou o histórico de notificações e apontou o crescimento acelerado da instituição após receber autorização para iniciar suas atividades.
Segundo a publicação, o Banco Master passou a atrair investidores oferecendo Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas muito acima das praticadas no mercado. Em 2019, primeiro ano de atuação, o volume de CDBs somava R$ 2,5 bilhões. Em 2024, esse montante teria alcançado R$ 40 bilhões, indicando uma escalada significativa na captação de recursos.
O banco, conforme relatado, prometia retornos de até 140% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), percentual que foge do padrão adotado por outras instituições financeiras. Em geral, o mercado costuma trabalhar com remunerações próximas a 100% do CDI, o que torna ofertas acima disso um sinal de risco elevado e de busca agressiva por captação.
A revista também destacou questionamentos internos sobre a capacidade do banco de se adequar às exigências regulatórias mesmo após sucessivos alertas do BC. “A pergunta é: um banco que não se enquadra depois de receber dezoito ofícios do BC ainda tinha chances de se corrigir?”, afirmou, em tom irônico, um ex-funcionário do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O FGC é a entidade responsável por ressarcir investidores em caso de quebra de instituições financeiras, com cobertura de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, dentro das regras estabelecidas pelo sistema.
Investigação da PF
Além dos alertas regulatórios, o Banco Master também aparece entre os alvos de apuração da Polícia Federal. A instituição é citada em investigações conduzidas no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras de grande escala.
De acordo com a PF, o esquema investigado pode ter movimentado até R$ 17 bilhões, reforçando a gravidade das suspeitas envolvendo operações financeiras e possíveis irregularidades no sistema de captação e movimentação de recursos.
Ressarcimento
A situação também levanta preocupação sobre o impacto financeiro para investidores. As estimativas indicam que cerca de 800 mil clientes devem ser ressarcidos, com valores que podem chegar a R$ 40,6 bilhões.
O número, embora expressivo, é menor do que as projeções iniciais, quando se cogitava que aproximadamente 1,6 milhão de investidores poderiam ser afetados pela quebra do Banco Master. Ainda assim, o volume potencial de ressarcimentos evidencia o tamanho do rombo e a dimensão do caso, que envolve tanto a atuação regulatória do Banco Central quanto investigações criminais em andamento.


