BC alertou Banco Master sobre liquidez meses antes da liquidação
Banco Central deu prazo de 180 dias para Daniel Vorcaro corrigir falhas de caixa e governança antes do colapso da instituição
247 - O processo que levou à liquidação do Banco Master, decretada em novembro de 2025, não ocorreu de forma inesperada para seu controlador, Daniel Vorcaro. Ainda em novembro de 2024, o empresário foi formalmente alertado pelo Banco Central de que teria 180 dias para corrigir problemas graves de liquidez e de governança identificados na instituição financeira. O aviso foi feito quando o BC ainda era comandado por Roberto Campos Neto e colocou o banco sob acompanhamento reforçado, segundo Valdo Cruz, do G1.
O prazo estabelecido pela autoridade monetária se encerraria em maio de 2025. Antes disso, porém, o Banco Central identificou que o Banco Master havia negociado carteiras de crédito consideradas fraudulentas com o Banco de Brasília (BRB), o que agravou ainda mais a situação da instituição privada. Desde o alerta formal, o banco já estava ciente da necessidade de reequilibrar seu caixa para continuar operando no sistema financeiro.
Quando a liquidação foi decretada, a situação financeira do Banco Master era crítica. A instituição contava com apenas R$ 4 milhões em caixa, ao mesmo tempo em que acumulava mais de R$ 100 milhões em compromissos operacionais imediatos. Além disso, havia uma dívida de cerca de R$ 2 bilhões referente a recolhimentos compulsórios que deveriam ter sido pagos ao Banco Central.
Daniel Vorcaro sustenta que, no fim de 2024, estava em negociação para viabilizar a continuidade do banco por meio de uma operação liderada pela empresa Fictor, em parceria com fundos árabes. O grupo Fictor protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo posteriormente.
Apesar dessas tratativas, o Banco Central manteve a supervisão rigorosa e cobrou uma reestruturação profunda da instituição para autorizar sua permanência no mercado.
Na tentativa de se salvar, o Banco Master buscou compradores e fechou um acordo com o BRB, que resultou na aquisição de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito posteriormente classificadas como fraudulentas. O Banco Central determinou a reversão dessas operações e acabou vetando a venda do banco privado ao BRB.
A operação deve gerar um prejuízo superior a R$ 4 bilhões ao banco público do Distrito Federal, valor que terá de ser coberto pelo governo local. O Banco Master também é alvo de suspeitas envolvendo irregularidades na comercialização de crédito consignado para milhares de aposentados e pensionistas, o que ampliou o cerco regulatório e acelerou o desfecho da crise.


