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Banco do Brasil amplia aposta em créditos de carbono na Amazônia

Projeto Antares, apoiado pelo BB, mira 5 milhões de hectares sob gestão até 2030 e usa tecnologia para acelerar certificações

Banco do Brasil e a Amazônia (Foto: Divulgação)
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247 - O Banco do Brasil ampliou sua atuação no mercado de créditos de carbono na Amazônia ao apoiar o Projeto Antares, iniciativa estruturada pela Carbonext para escalar projetos de conservação florestal com uso de tecnologia, padronização e contratos de longo prazo. A proposta parte de um universo estimado em 254 milhões de hectares na Amazônia. Desse total, a Carbonext filtrou cerca de 26 milhões de hectares com potencial para projetos baseados na metodologia REDD+, mecanismo internacional que incentiva financeiramente ações de proteção florestal em países em desenvolvimento.

O objetivo do Projeto Antares é chegar a até 5 milhões de hectares sob gestão até 2030, extensão comparável ao território do Espírito Santo. A iniciativa estima uma produção anual de 7,5 milhões de créditos de carbono e receita líquida próxima de US$ 50 milhões por ano. O BB também informou que registra metas próprias de sustentabilidade. A instituição pretende alcançar uma carteira de crédito sustentável com saldo de R$ 500 bilhões até 2030. O banco também estabeleceu o objetivo de conservar e/ou reflorestar 2 milhões de hectares, além de recuperar 1,5 milhão de hectares de áreas degradadas no mesmo período.

O Projeto Antares propõe um modelo voltado à expansão da geração de créditos de carbono na Amazônia por meio de uma rede descentralizada de proprietários locais. A iniciativa utiliza a plataforma digital Gaia OS para integrar etapas de desenvolvimento, monitoramento e certificação, com o objetivo de reduzir custos, ampliar a transparência e acelerar a oferta de créditos ao mercado.

A estrutura financeira do projeto prevê contratos de compra antecipada de créditos de carbono, conhecidos como offtake. O modelo permite contratar previamente até 50% do volume previsto, combinar financiamento antecipado e capturar valor na etapa de comercialização dos créditos.

Tecnologia busca acelerar emissão de créditos

O Projeto Antares tenta enfrentar entraves recorrentes do mercado voluntário de carbono, como o alto custo operacional e o longo prazo necessário para validar projetos e emitir créditos. Com a digitalização de etapas como desenvolvimento, monitoramento e certificação, a iniciativa busca reduzir o ciclo de emissão de 18 a 36 meses para um intervalo de 6 a 12 meses.

A Carbonext também projeta economias de até 60% em auditorias. O desenho do sistema cria uma rede de “nós” conectados, capaz de gerar escala, previsibilidade e padronização na entrega dos créditos. A metodologia Verra e os padrões internacionais de integridade orientam a estrutura do projeto.

Para o Banco do Brasil, o Antares abre espaço para novas soluções financeiras ligadas à agenda ASG. A instituição avalia oportunidades como operações lastreadas em créditos de carbono, produtos financeiros inovadores e receitas associadas ao mercado climático.

“Projetos como o Antares representam uma evolução importante do mercado de carbono ao combinar escala, padronização e integridade ambiental. Para o BB, iniciativas com esse perfil ampliam nossa capacidade de estruturar soluções financeiras inovadoras e gerar valor sustentável para nossos clientes e para a sociedade”, afirma José Ricardo Sasseron, vice-presidente de Governo e Sustentabilidade do Banco do Brasil.

Carbonext vê nova fase no mercado de carbono

A Carbonext avalia que o mercado de carbono entrou em um estágio em que a integridade dos projetos ganha peso central. Para a empresa, a demanda por créditos de maior qualidade tende a orientar a expansão do setor nos próximos anos. “O mercado entrou em uma nova fase”, observa Janaina Dallan, presidente da Carbonext. “A escassez não é mais de projetos, mas de demanda para os projetos de alta integridade”.

Luciano Corrêa da Fonseca, CEO da empresa, também defende a combinação entre tecnologia e padronização como caminho para aumentar a escala sem reduzir a credibilidade ambiental dos créditos. “O desafio agora é produzir volume com qualidade, de forma consistente e verificável”, afirma Luciano Corrêa da Fonseca. “A padronização e a tecnologia são o caminho para alcançar essa escala sem comprometer a credibilidade”.

BB mira novas frentes financeiras com créditos de carbono

A participação no Projeto Antares também se conecta à estratégia do Banco do Brasil de desenvolver produtos ligados à transição para uma economia de baixo carbono. Entre as possibilidades em análise, a instituição destaca a integração de créditos de carbono a linhas de financiamento.

Esse tipo de estrutura pode ampliar o alcance socioambiental das operações do banco e criar instrumentos capazes de apoiar clientes em projetos de redução de emissões, conservação florestal e adaptação à agenda climática.

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