HOME > Brasília

CGU desmente reportagem e esclarece que alertas do sistema ALICE não indicam irregularidades

Órgão federal reagiu a reportagem do Metrópoles e explicou que os 35 mil avisos são sinais preventivos e não confirmações de desvio de recursos

CGU (Foto: Iano Andrade/Ag. Brasil)

247 - A Controladoria-Geral da União emitiu uma nota de esclarecimento para contextualizar dados divulgados em reportagem do portal Metrópoles que relacionava 35 mil alertas gerados pelo sistema ALICE a indícios de irregularidades na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a CGU, fonte original das informações que embasam esta matéria, os números não representam irregularidades confirmadas nem podem ser interpretados como evidência de desvio de recursos públicos.

De acordo com a nota da CGU, o sistema ALICE — Analisador de Licitações, Contratos e Editais — é uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pelo próprio órgão com finalidade preventiva. O sistema identifica, de forma antecipada, possíveis inconsistências e riscos em processos licitatórios, permitindo que gestores adotem medidas corretivas antes da conclusão das contratações. A CGU ressalta que se trata de um instrumento de aprimoramento da gestão pública, e não de confirmação de qualquer tipo de irregularidade.

O órgão foi categórico ao afirmar ser "equivocada qualquer tentativa de tratar o volume de alertas como sinônimo de irregularidades" e que "os alertas são sinais automatizados de risco que demandam análise técnica e, na ampla maioria dos casos, resultam em ajustes administrativos ou esclarecimentos, sem configuração de irregularidades".

A CGU também chamou atenção para outro aspecto que pode distorcer a leitura dos dados: o número de alertas não corresponde ao número de licitações ou processos de compra monitorados. Um único processo pode concentrar mais de um aviso, o que significa que os 35 mil alertas mencionados na reportagem não representam 35 mil ocorrências distintas em procedimentos diferentes de aquisição pública.

O órgão aproveitou o esclarecimento para destacar a evolução do sistema nos últimos anos. A CGU ampliou significativamente a capacidade analítica do ALICE, incorporando novas bases de dados, modelos e parâmetros de avaliação de risco. Essa expansão tornou a ferramenta mais sensível e eficaz na detecção precoce de inconsistências — o que, naturalmente, aumenta o volume de alertas gerados, sem que isso signifique crescimento de irregularidades na administração pública.

O ALICE integra a estratégia da CGU de utilizar tecnologia e análise de dados para fortalecer a transparência e o controle interno do governo federal, atuando de forma preventiva antes que eventuais problemas se consolidem em contratos ou gastos problemáticos para os cofres públicos.

Artigos Relacionados