Governo aposta em fragmentação da oposição para garantir vaga no TCU
Planalto confia no voto secreto para assegurar eleição de Odair Cunha ao Tribunal de Contas da União
247 - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem atuado nos bastidores da Câmara dos Deputados para ampliar o número de candidaturas na disputa por uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), numa estratégia que visa favorecer o deputado Odair Cunha (PT-MG), relata a Folha de São Paulo.
A avaliação de aliados do Palácio do Planalto é que a fragmentação da oposição pode facilitar a obtenção da maioria necessária, já que a escolha será feita em turno único e por voto secreto. A cadeira em disputa é a do ministro Aroldo Cedraz, que se aposenta compulsoriamente no fim de fevereiro, e a votação está prevista para a próxima semana.
Partidos como PL, PSD e União Brasil já sinalizaram que não pretendem apoiar o nome indicado pelo PT, apesar de um entendimento firmado no final de 2024 com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Diante disso, essas legendas decidiram lançar candidatos próprios.
Estão na corrida os deputados Hugo Leal (PSD-RJ), Danilo Forte (União Brasil-CE) e Elmar Nascimento (União Brasil-BA), este último considerado com menor densidade de apoio entre os concorrentes. A multiplicidade de candidaturas é vista por governistas como um fator que pode dividir os votos contrários ao petista e, assim, ampliar suas chances.
A preferência por Odair Cunha estaria ligada a um acordo político construído na eleição para a presidência da Câmara. O governo apoiou a candidatura de Hugo Motta ao comando da Casa e, em contrapartida, teria solicitado o compromisso de respaldo ao nome do deputado do PT quando surgisse a vaga no TCU.
O grupo envolvido nesse entendimento reúne partidos de esquerda e também siglas de centro, como o PP, somando cerca de 301 votos. Ainda assim, o cenário é considerado imprevisível devido ao caráter secreto da votação. Deputados governistas admitem a possibilidade de traições internas, ao mesmo tempo em que não descartam eventuais defecções entre adversários.
Um integrante da base governista afirmou, sob reserva, que “sempre quem está na frente tem mais a perder”, reconhecendo o grau de incerteza que marca a disputa pela vaga no Tribunal de Contas da União.