Ibaneis diz que nunca tratou do BRB com Vorcaro
Governador nega tratativas sobre operações bancárias e sustenta apoio com base em informações da antiga gestão do BRB
247 - O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou que jamais tratou de assuntos relacionados ao Banco de Brasília (BRB) com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo ele, apesar de ter encontrado o banqueiro em ao menos duas ocasiões, não houve qualquer conversa sobre operações financeiras, compra de ações ou negociações entre as instituições.
As declarações foram dadas em entrevista ao portal Metrópoles, após a divulgação, pelo jornal O Estado de São Paulo, de trechos do depoimento de Vorcaro à Polícia Federal. No relato, o empresário teria afirmado que conversou “algumas vezes” com Ibaneis sobre a venda do Banco Master ao BRB, versão rebatida pelo governador.
Ibaneis confirmou que esteve na residência de Vorcaro, em Brasília, para um almoço, e que também o encontrou em São Paulo, durante a festa de aniversário de um amigo em comum. Ainda assim, reiterou que os encontros não tiveram qualquer relação com negócios bancários. “Estive na casa dele [Vorcaro] uma vez. Fui convidado para um almoço. Nunca tratei de banco com ele. As operações todas foram feitas pelo Paulo. Nunca tratei com Vorcaro nada de compra de banco, de compra de ação, de nada. Quando encontrei com ele, fui convidado para um almoço na casa de um empresário que eu não conhecia. Cheguei lá mudo e saí calado. Não tratei de nada, até porque não entendo nada disso”, afirmou.
O governador destacou que todas as tratativas envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB foram conduzidas pelo então presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, que ocupava o cargo havia sete anos. Segundo Ibaneis, a confiança depositada no executivo foi decisiva para o apoio político dado à operação, posteriormente barrada pelo Banco Central.
“Toda a negociação de compra foi feita pelo Paulo Henrique. O Paulo sempre me afirmou que era um excelente negócio, porque ele [Master] tinha muitos ativos e só iria trazer parte boa. Não tinha motivo para desconfiar do Paulo. Paulo trabalhou comigo sete anos, pegou banco quebrado e transformou em um banco de âmbito nacional. Como eu ia desconfiar de Paulo?”, declarou o governador.
Ibaneis afirmou ainda que a trajetória profissional de Paulo Henrique Costa e o reconhecimento do setor empresarial reforçaram sua confiança. “Eu procuro nomear pessoas técnicas. O Paulo era técnico, era vice-presidente da Caixa Econômica. E ele deu resultados. Aqui em Brasília, toda roda de empresário que você chegava só tinha elogios ao trabalho do Paulo”, disse.
Questionado sobre um eventual arrependimento por ter defendido publicamente a operação, que acabou gerando prejuízo ao BRB, o governador negou. “Não, porque fiz diante do dado que tinha à época”, afirmou. Em seguida, reforçou que sua atuação se baseou nas informações recebidas da direção do banco. “Você me dá uma informação, eu confio na informação que você me passa e eu defendo a informação. Não vejo erro político. Agora, se tecnicamente tivesse problema a ser resolvido na compra de carteiras, isso era da alçada do Paulo. Porque, como eu não entendia das operações, eu confiei mesmo. Não sabia o que estava comprando, vendendo, o que estava fazendo”, concluiu.

