PSB e Cidadania entram com pedido de impeachment contra Ibaneis
Ação na CLDF se apoia em declarações de Daniel Vorcaro à Polícia Federal sobre o caso Master-BRB e amplia pressão política sobre o governador do DF
247 - Os partidos PSB e Cidadania decidiram formalizar um pedido de impeachment contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em meio ao agravamento das denúncias relacionadas ao escândalo envolvendo o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). A iniciativa será protocolada nesta quarta-feira, às 15h, na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), em um movimento que busca resposta institucional diante da repercussão política e financeira do caso.
O pedido será assinado e entregue pessoalmente por Ricardo Cappelli, acompanhado dos ex-governadores Cristovam Buarque, presidente do Cidadania no Distrito Federal, e Rodrigo Rollemberg, deputado federal, além do presidente do PSB-DF, Rodrigo Dias. A ação tem como base informações tornadas públicas a partir de depoimentos prestados à Polícia Federal e repercutidos pela imprensa, que apontam para possíveis irregularidades nas tratativas envolvendo a tentativa de venda do Banco Master ao BRB.
No centro da controvérsia estão as declarações do banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal. Segundo o relato, ele afirmou ter conversado “algumas vezes” com o governador Ibaneis Rocha sobre a operação de venda do Banco Master ao BRB. Vorcaro também declarou que o governador chegou a ir à sua residência, o que ampliou o debate sobre o nível de proximidade entre o chefe do Executivo local e o empresário envolvido na negociação.
Procurado para se manifestar, Ibaneis Rocha negou a versão apresentada pelo banqueiro. O governador afirmou que não tratou com Vorcaro sobre a venda do banco e que esteve apenas uma vez na casa do empresário. A divergência entre os relatos passou a ser um dos principais pontos de atenção do caso, sobretudo porque a operação já é alvo de apuração em instâncias superiores.
A investigação está sob responsabilidade do Supremo Tribunal Federal (STF) e envolve suspeitas de crimes financeiros relacionados ao negócio. Um elemento que reforçou a gravidade do episódio foi o veto do Banco Central à transação entre o Master e o BRB, decisão que elevou o debate do campo político para o jurídico e regulatório, diante do papel da autoridade monetária na supervisão do sistema financeiro.
Além das implicações políticas e legais, o caso também levanta preocupações sobre os possíveis impactos econômicos da operação. Há estimativas de que o BRB poderia sofrer prejuízos de até R$ 4 bilhões em razão da aquisição de créditos considerados problemáticos do Banco Master. O valor expressivo intensificou o debate público sobre a qualidade dos ativos envolvidos e os critérios de avaliação de risco utilizados.


