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Haddad cobra do DF aporte de R$ 4 bilhões no BRB para evitar intervenção federal

Ministro da Fazenda alerta para risco de intervenção no banco público após perdas ligadas ao caso Banco Master

Brasília (DF) - 20/08/2025 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

247 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), comunicou à cúpula do Banco de Brasília (BRB) que a instituição poderá sofrer intervenção caso o Governo do Distrito Federal não realize um aporte de R$ 4 bilhões para recompor o capital do banco. A cobrança ocorre em meio a um cenário de fragilidade patrimonial identificado após operações envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master, informa o jornal O Estado de São Paulo.

A exigência do Ministério da Fazenda está relacionada às consequências financeiras das transações feitas pelo BRB no processo de compra de ativos do banco controlado por Daniel Vorcaro.

De acordo com investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, há indícios de que o Banco Master teria vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito que, na prática, não existiam. O caso ganhou novos contornos no fim do ano passado, durante uma acareação no Supremo Tribunal Federal (STF), quando o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que o banco estatal não conseguiu recuperar aproximadamente R$ 2 bilhões que haviam sido aportados no Master antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição privada, em novembro.

Atualmente, o montante exato do prejuízo ainda está sendo apurado. O próprio BRB sustenta que o tamanho do rombo segue sob análise do Banco Central e de uma auditoria independente. Apesar disso, a avaliação do governo federal é de que a situação exige uma resposta imediata do acionista controlador, o Governo do Distrito Federal, comandado por Ibaneis Rocha (MDB), para corrigir o desequilíbrio financeiro e evitar medidas mais drásticas.

Na semana anterior à divulgação do ultimato, o BRB já havia reconhecido publicamente a possibilidade de receber aportes do governo distrital para cobrir eventuais perdas decorrentes da operação com o Banco Master. Procurado pelo O Estado de São Paulo, o Ministério da Fazenda optou por não se manifestar sobre o caso.

Em nota, o BRB negou qualquer risco à continuidade de suas operações e detalhou as providências adotadas para apurar os fatos. Segundo o comunicado, “o BRB informa que trabalha diariamente em conjunto com o Banco Central e esclarece que todas as operações mencionadas no âmbito da Operação Compliance Zero, que possam estar relacionadas ao Banco, estão incluídas na investigação forense independente conduzida pelo escritório Machado Meyer, com suporte técnico da Kroll”.

A instituição afirmou ainda que “reforça seu compromisso com a transparência, a governança e o cumprimento das normas do sistema financeiro, colaborando integralmente com as autoridades competentes”. No mesmo texto, o banco destacou que “os possíveis prejuízos ligados à compra de carteiras do Banco Master ainda estão em apuração pelo Banco Central e pela auditoria independente”.

Por fim, o BRB informou que, caso as perdas sejam confirmadas, já existe um plano de capitalização em andamento. “Caso sejam confirmados, o BRB informa que já possui plano de capital que prevê aporte através de vários instrumentos de recomposição de capital”, diz a nota, que conclui afirmando que a instituição “segue sólido, com patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões e patrimônio de referência de R$ 6,5 bilhões, operando normalmente e assegurando todos os serviços financeiros”.

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