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Jaques Wagner tenta se desvincular do Caso Master antes de deixar a liderança do governo

“Jaques não é apegado (ao cargo). O ponto é o gesto. Ninguém pode pré-julgar. Ele tem direito à presunção de inocência”, afirma um aliado do senador

Jaques Wagner (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)
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247 - O senador Jaques Wagner (PT-BA) articula uma forma de reorganizar a narrativa em torno de sua possível saída da liderança do governo Lula (PT) no Senado, em meio aos desdobramentos do Caso Master. A avaliação de aliados é que o parlamentar tenta evitar que uma eventual mudança no posto seja interpretada exclusivamente como consequência da operação da Polícia Federal da qual foi alvo, apesar de não ser réu no inquérito, informa Igor Gadelha, do Metrópoles.

Pessoas próximas ao senador afirmam que Wagner não quer que a eventual saída da função seja vista como uma espécie de punição política. O objetivo, de acordo com esses aliados, é construir uma transição que preserve sua imagem pública e impeça uma associação automática entre a liderança no Senado e a investigação relacionada ao Caso Master.

A movimentação ocorre dias após o senador ter sido alvo de uma operação da PF no âmbito do caso. No entorno de Wagner, a leitura é que qualquer decisão sobre sua permanência ou saída precisa levar em conta a presunção de inocência e o fato de que o parlamentar não responde como réu na apuração.

Um aliado do líder do governo resumiu a preocupação política em torno do gesto. “Jaques não é apegado (ao cargo). O ponto é o gesto. Ninguém pode pré-julgar. Ele tem direito à presunção de inocência”, afirmou.

Na quinta-feira (18), em entrevista à BandNews, Wagner rejeitou a possibilidade de deixar a liderança do governo naquele momento. O senador afirmou que o presidente Lula não havia feito qualquer pedido para que ele se afastasse da função.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, no entanto, ministros e assessores avaliam que a melhor saída seria uma iniciativa do próprio Wagner. A expectativa, segundo a apuração, é que o senador peça para deixar o posto de líder do governo no Senado, de modo a reduzir potenciais desgastes para o Palácio do Planalto e evitar que o episódio contamine a campanha de Lula à reeleição.

A liderança do governo no Senado é uma função estratégica para a articulação política do Executivo no Congresso. Cabe ao ocupante do posto negociar pautas prioritárias, defender interesses do Planalto e atuar como ponte entre o governo e a base parlamentar.

A eventual saída de Wagner, portanto, teria impacto direto na condução política do governo no Senado. O ponto central, para seus aliados, é que a troca não seja apresentada publicamente como resultado automático da operação da PF, mas como uma decisão política conduzida de forma planejada.

A definição sobre o futuro do senador na liderança ainda depende da evolução das conversas internas. Até o momento, Wagner sustenta que não recebeu pedido de Lula para deixar a função, enquanto integrantes do governo defendem nos bastidores uma solução que reduza ruídos políticos em torno do caso.

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