Justiça procura 336 homens acusados ou condenados por feminicídio no Brasil
Todos os procurados são homens, o que reforça o padrão estrutural desse tipo de crime no País
247 - O Brasil mantém ao menos 336 pessoas foragidas da Justiça por crimes de feminicídio, segundo dados recentes sobre mandados de prisão em aberto relacionados a assassinatos de mulheres motivados por violência de gênero. Todos os procurados são homens, o que reforça o padrão estrutural desse tipo de crime no país. O número expõe dificuldades persistentes na responsabilização dos autores e no enfrentamento da violência contra mulheres.
As informações foram publicadas nesta quarta-feira (4) pelo Portal G1, que também revelou que 2025 terminou com um recorde histórico de feminicídios no Brasil. Ao longo do ano, 1.530 mulheres foram assassinadas nessas circunstâncias, o equivalente a uma média de quatro mortes por dia, segundo o levantamento divulgado pelo site.
Entre os 336 casos de foragidos, a maioria dos mandados expedidos é de prisão preventiva. Esse tipo de ordem judicial ocorre quando o suspeito já foi identificado pelas autoridades, mas ainda responde ao processo, devendo ser preso para garantir o andamento da investigação ou do julgamento. O dado indica que, mesmo com a identificação formal dos acusados, parte significativa deles segue fora do alcance do sistema de Justiça.
O levantamento também aponta que, em 19 situações, os réus já foram condenados de forma definitiva. Nesses casos, houve o chamado trânsito em julgado, etapa em que não cabem mais recursos judiciais. Ainda assim, os condenados continuam foragidos, o que evidencia falhas na execução das penas e no cumprimento das decisões judiciais.
A distribuição geográfica dos procurados mostra concentração em alguns estados. São Paulo lidera a lista, com 108 homens buscados por crimes de feminicídio. Na sequência aparecem Bahia, com 32 casos, Maranhão, com 28, e Pará, com 27. Os números refletem tanto a dimensão populacional dessas unidades da federação quanto a gravidade da violência de gênero em diferentes regiões do país.
O cenário revelado pelo levantamento reforça que o feminicídio permanece como um dos principais desafios da segurança pública e dos direitos humanos no Brasil. Além do alto número de assassinatos, a existência de centenas de mandados de prisão em aberto evidencia obstáculos na prevenção, na investigação e na punição efetiva desse tipo de crime.


