HOME > Brasília

Mastercard assume 6,93% do capital do BRB após executar garantia de acionista

Banco diz que participação era de acionista do mercado secundário e que a empresa pretende vender os papéis sem interferir no controle

Sede do BRB em Brasília - 01/04/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 – A Mastercard executou uma dívida ligada a um acionista do Banco de Brasília (BRB) e tornou-se dona de 6,93% do capital social total da instituição financeira, segundo comunicado divulgado pelo banco na noite de terça-feira, 20 de janeiro de 2026.

A informação foi publicada na coluna Grande Angular, do portal Metrópoles, e detalha que a participação decorre de um procedimento chamado excussão de alienação fiduciária, acionado quando uma dívida não é paga. O BRB ressaltou que a dívida não era do próprio banco, mas de um acionista que atuava no mercado secundário.

De acordo com a comunicação enviada pela Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos ao BRB, “houve a consolidação da propriedade, em favor da Mastercard, de 33.684.706 ações de emissão do BRB, representativas de 6,93% do capital social total do BRB”. O pacote envolve tanto ações ordinárias quanto preferenciais.

No detalhamento, a Mastercard informou que a participação é composta por 11.750.000 ações ordinárias, equivalentes a 3,67% do total das ordinárias do BRB, e 21.934.706 ações preferenciais, correspondentes a 13,21% do total das preferenciais da instituição. O texto informa ainda que esse montante corresponde a aproximadamente R$ 230 milhões.

Comunicado ao mercado e esclarecimentos do BRB

O BRB informou ao mercado que recebeu formalmente a correspondência da Mastercard comunicando a execução da garantia e a aquisição de participação relevante. No documento, o banco registrou que a participação societária “decorre da excussão de alienação fiduciária sobre ações ordinárias e preferenciais do BRB”.

Ao enfatizar que a dívida não era do próprio banco, o BRB buscou afastar interpretações de fragilidade financeira institucional. Segundo a instituição, trata-se de um desdobramento de inadimplência de um acionista do mercado secundário, que tinha ações dadas em garantia.

Mastercard afirma que venderá as ações e não pretende influenciar o banco

A Mastercard afirmou que fará a venda das ações e que não tem interesse em manter participação acionária no BRB. A empresa declarou que “não [tem] a intenção de manter participação acionária no BRB, nem de exercer os direitos políticos a elas vinculados durante o período em que realizará a venda dos ativos”.

No mesmo sentido, a companhia ressaltou que a execução da garantia não tem como objetivo alterar o controle acionário ou a estrutura administrativa do BRB. “A excussão da garantia não objetiva alterar a composição do controle ou a estrutura administrativa da sociedade”, enfatizou.

Entenda o mecanismo: o que é a excussão de alienação fiduciária

A excussão de alienação fiduciária é um mecanismo que permite ao credor consolidar a propriedade de um ativo dado em garantia quando o devedor não cumpre o pagamento da obrigação. No caso, as ações do BRB estavam vinculadas a uma alienação fiduciária e, diante do não pagamento, passaram a ser formalmente consolidadas em favor da Mastercard.

O BRB comunicou que a Mastercard “procederá à alienação dessas ações”, reiterando que não pretende alterar o controle acionário nem a estrutura administrativa da companhia.

O que o mercado tende a observar

A consolidação de uma participação de 6,93% do capital social total do BRB em mãos de um novo detentor, ainda que temporário, chama atenção por envolver um bloco relevante de ações, com composição expressiva também nas preferenciais. Como a própria Mastercard informou que pretende vender os papéis, o foco passa a recair sobre a dinâmica dessa alienação e sobre como o processo ocorrerá, sempre à luz do que foi comunicado oficialmente ao mercado pelo banco e pela empresa.