Mensagens atribuídas a Vorcaro citam ameaça contra empregada doméstica
A troca de mensagens ocorreu entre Vorcaro e Luiz Mourão, apontado pela PF como responsável operacional por um grupo denominado internamente de “A Turma”
247 - Conversas examinadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero revelam que o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teria feito ameaças contra uma funcionária doméstica após um suposto desentendimento. O conteúdo das mensagens foi identificado durante a investigação conduzida pela PF e mencionado em documentos analisados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os relatos foram publicados nesta quarta-feira (4) na coluna de Mirelle Pinheiro.
A troca de mensagens ocorreu entre Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado pelos investigadores como responsável operacional por um grupo denominado internamente de “A Turma”. De acordo com a investigação, essa estrutura teria sido utilizada para monitorar e intimidar pessoas consideradas contrárias aos interesses do banqueiro.
Mensagens analisadas na investigação
Em uma das conversas registradas pelos investigadores, Vorcaro comenta um conflito com uma funcionária doméstica identificada como Monique. Na mensagem, ele escreve: “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda.”
Após receber a mensagem, Mourão pergunta qual seria a orientação a ser seguida. Em resposta, Vorcaro teria determinado: “Puxa endereço tudo.”
De acordo com a interpretação apresentada pelo STF no processo, a ordem indicaria a intenção de localizar a funcionária e reunir informações pessoais sobre ela.
Estrutura investigada
A investigação aponta que Mourão seria responsável por coordenar ações do grupo chamado “A Turma”, que, segundo a PF, teria atuado na coleta de dados e monitoramento de indivíduos considerados problemáticos para o empresário.
Segundo os investigadores, a atuação desse grupo incluía consultas e levantamento de informações pessoais, muitas vezes utilizando métodos destinados a identificar endereços, documentos e outros dados sensíveis.
Outro episódio citado na decisão judicial
A decisão judicial também menciona outro episódio envolvendo mensagens atribuídas a Vorcaro. Nesse caso, o empresário teria comentado sobre um funcionário que teria realizado uma gravação considerada indesejada.
De acordo com o relato apresentado no processo, Mourão teria conseguido acessar documentos pessoais e dados do trabalhador. Em seguida, Vorcaro teria sugerido uma estratégia de pressão indireta. Na mensagem citada na investigação, ele afirma: “O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar.”
Defesa do empresário
Em nota divulgada após a divulgação das informações, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário tem colaborado com as investigações e negou as acusações apresentadas no processo.
Segundo o comunicado: “o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.”
A defesa também contestou as alegações atribuídas ao banqueiro. Na mesma nota, os advogados afirmaram: “A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições.”
A investigação da Operação Compliance Zero segue em andamento e apura o alcance das ações atribuídas ao grupo mencionado nas mensagens analisadas pela Polícia Federal.


