Partidos pedem ao STJ afastamento de Ibaneis Rocha por caso Banco Master
PT, PCdoB, do PV, do PDT e Rede preparam pedido de impeachment na CLDF após depoimento de Daniel Vorcaro à PF sobre encontros com o governador do DF
247 - A oposição ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), decidiu protocolar uma queixa-crime no Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedindo o afastamento do chefe do Executivo local. A iniciativa é liderada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no DF, com apoio do PCdoB, do PV, do PDT e da Rede, e ocorre em meio ao avanço de investigações envolvendo o Banco Master.
As informações foram publicadas originalmente pelo SBT News, que acompanha o caso desde a divulgação do depoimento do empresário Daniel Vorcaro à Polícia Federal. Paralelamente à queixa-crime no STJ, as legendas também se articulam para apresentar um pedido de impeachment na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), ampliando a ofensiva política contra o governador.
Ao SBT News, o presidente do diretório regional do PT no DF, Guilherme Sigmaringa, informou que os partidos irão ingressar com pedido de impeachment contra Ibaneis na CLDF e que a assessoria jurídica trabalha na redação dos documentos relacionados tanto ao afastamento quanto à queixa-crime. A iniciativa soma-se a um pedido de impeachment já protocolado anteriormente por PSB e Cidadania no Legislativo local.
O movimento da oposição ganhou força após Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, relatar em depoimento à Polícia Federal encontros com o governador. Segundo o empresário, teriam ocorrido conversas com Ibaneis Rocha a respeito de uma proposta de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), instituição controlada pelo governo do DF.
O governador negou as declarações e afirmou que nunca tratou com Daniel Vorcaro sobre qualquer assunto relacionado à operação envolvendo o BRB e o Banco Master, rechaçando a existência de tratativas nesse sentido.
Daniel Vorcaro foi preso em novembro, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, sob acusação de liderar um esquema de criação de carteiras falsas de crédito para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master. As investigações apontam para prejuízos bilionários e para uma tentativa de venda da instituição ao BRB. O empresário foi solto menos de duas semanas depois, mas permanece monitorado por tornozeleira eletrônica.
Com o avanço das apurações, o Banco Central do Brasil determinou a liquidação do Banco Master. Na última quarta-feira (21), também foi decretada a liquidação do Will Bank, braço digital da instituição, aprofundando os efeitos do caso no sistema financeiro e no cenário político do Distrito Federal.

