PCDF amplia bloqueio de bens em investigação contra funcionários do BRB
Medidas patrimoniais passam de R$ 16 milhões e incluem imóveis, contas, investimentos e veículos de luxo
247 - A Polícia Civil do Distrito Federal ampliou o bloqueio de bens na Operação Insider, que investiga suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo empregados ligados ao Banco de Brasília. As medidas patrimoniais já superam R$ 16 milhões e atingem contas bancárias, investimentos, seis imóveis e oito veículos de luxo. A apuração não tem relação com as investigações sobre fraudes financeiras ligadas ao Banco Master desvendadas pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As informações foram publicadas nesta quinta-feira (21) pelo Portal G1.
Durante a Operação Insider, a PCDF identificou novos elementos após cumprir mandados de busca e apreensão na deflagração da operação, em 7 de maio. A investigação apura movimentações financeiras estimadas em R$ 15 milhões e começou após o próprio BRB repassar às autoridades indícios de irregularidades em uma agência de Ceilândia, no Distrito Federal.
Novas salas comerciais ampliaram alcance da apuração
A Polícia Civil informou que o principal alvo da Operação Insider tinha mais patrimônio do que os investigadores mapearam no início da apuração. Além de uma sala comercial que já integrava o foco inicial, os policiais encontraram outras cinco salas comerciais distribuídas em dois edifícios empresariais próximos.
Com base nesses novos elementos, a PCDF pediu à Justiça a ampliação das medidas cautelares. A corporação busca garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos, reparação de danos e pagamento de multas ao fim do processo.
A decisão judicial autorizou o bloqueio de mais de R$ 13,1 milhões em contas bancárias e investimentos financeiros. A Justiça também determinou a indisponibilidade de seis imóveis e de oito veículos de luxo ligados aos investigados.
Operação mira suspeitas de corrupção e lavagem
A Operação Insider teve início na manhã de 7 de maio e mirou dois funcionários do Banco de Brasília, um servidor público federal, empresários e pessoas jurídicas. A polícia cumpriu 17 mandados de busca e apreensão. Ninguém acabou preso durante a ação.
Os investigadores apuram suspeitas de uso da estrutura bancária para lavagem de dinheiro e corrupção. Segundo a Polícia Civil, os investigados vivem no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e em São Paulo. A corporação não divulgou os nomes dos alvos.
BRB acionou autoridades após auditoria
A investigação teve origem em dados enviados pelo próprio BRB. O banco identificou irregularidades em movimentações financeiras e indícios de descumprimento de normas de compliance em uma agência localizada em Ceilândia. O gerente dessa agência teria participado de operações suspeitas. Outro funcionário do BRB, com conta na mesma unidade de Ceilândia, também teria integrado o esquema investigado.
Os investigadores identificaram transferências suspeitas entre pessoas físicas e jurídicas, uso intenso de dinheiro em espécie e indícios de ocultação de patrimônio por meio da compra de veículos de alto valor. A polícia também apura circulação fracionada de recursos.
A investigação examina ainda possíveis irregularidades em operações da BRB DTVM, a Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários do Banco de Brasília.
Suspeitos podem responder por três crimes
De acordo com a Polícia Civil, os investigados podem responder por corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro, caso a Justiça confirme as suspeitas ao longo do processo. As penas somadas podem chegar a 30 anos de prisão.
A PCDF informou que mantém as investigações para detalhar a origem dos recursos, rastrear possíveis formas de ocultação de patrimônio e identificar a participação de outros envolvidos.
A corporação também busca esclarecer como os valores circularam, qual papel cada investigado exerceu nas movimentações e se empresas ou pessoas físicas serviram para mascarar a origem do dinheiro.
O que diz o BRB
O Banco de Brasília afirmou que a Operação Insider teve início a partir de informações repassadas pela própria instituição às autoridades competentes.
"O BRB informa que a Operação Insider da PCDF, deflagrada nesta manhã, teve início a partir de informações repassadas pelo próprio Banco às autoridades competentes, após a identificação de irregularidades em movimentações financeiras e indícios de descumprimento de normas de compliance”, disse.
“A investigação do BRB teve início em maio de 2025, evidenciando a atuação proativa e diligente do Banco na identificação e tratamento de indícios de irregularidades. O Banco segue colaborando com as autoridades e adotando todas as providências necessárias para assegurar a conformidade de suas operações e a responsabilização de eventuais envolvidos", acrescentou.
O que diz o GDF
O Governo do Distrito Federal afirmou que a investigação partiu de auditoria interna realizada pelo BRB e que encaminhou as informações às autoridades para apuração.
"A operação deflagrada hoje (7) pela Polícia Civil do Distrito Federal é resultado de uma investigação iniciada pelo próprio BRB, a partir de auditoria interna realizada pelo banco. Desde a identificação das irregularidades, todas as informações foram encaminhadas às autoridades competentes para apuração rigorosa dos fatos. Não haverá complacência com qualquer desvio de conduta dentro da instituição. O compromisso do Governo do Distrito Federal é preservar a integridade do BRB, assegurar transparência nas apurações e garantir que eventuais responsáveis sejam punidos na forma da lei."
O GDF alegou que existe o compromisso institucional com a proteção do banco público. "O compromisso do Governo do Distrito Federal é preservar a integridade do BRB, assegurar transparência nas apurações e garantir que eventuais responsáveis sejam punidos na forma da lei", afirmou o GDF em nota.



