PL foi o partido que mais recebeu recursos do fundo partidário
A sigla foi a que mais cresceu na Câmara durante a janela partidária. O União Brasil, que se uniu ao PP, foi a legenda que mais perdeu deputados
247 - O PL recebeu a maior parcela dos recursos do fundo partidário, com R$ 192,15 milhões, além de R$ 16,5 milhões provenientes de multas eleitorais. A legenda da extrema direita recebeu os valores no ano passado. A informação foi publicada neste sábado (4) pelo jornal Valor Econômico.
Impulsionado pelo dinheiro do fundo, o partido foi o que mais cresceu na Câmara durante o período de um mês da janela partidária, encerrado nessa sexta-feira (3). O União Brasil, que se uniu ao Progressistas (PP) para disputar as próximas eleições em uma federação, foi a legenda que mais perdeu deputados.
Até o fim da noite dessa sexta-feira (3), o PL havia incorporado à sua bancada ao menos 18 novos deputados federais. O União perdeu 16, conforme dados publicados no site da Câmara e com informações divulgadas pelos parlamentares. Ao menos 50 deputados federais trocaram de partido nesse período.
Ao todo, pelo menos 50 deputados federais trocaram de partido durante a janela partidária, período de 30 dias em que parlamentares podem mudar de legenda sem risco de perda de mandato. Mesmo nas últimas horas do prazo, as movimentações continuaram intensas, com lideranças políticas adotando cautela diante da possibilidade de novas saídas.
O líder do PSD na Câmara, Antônio Brito (BA), resumiu o cenário ao afirmar: “Isso é uma porta giratória”. Já uma fonte do Republicanos indicou que as articulações continuavam abertas: “Até o fim do dia [de sexta-feira], pode ter mais conversa”.
Entre os parlamentares que deixaram o União Brasil para ingressar no PL estão Dani Cunha (RJ), Coronel Assis (MT), Rosângela Moro (SP) e Rodrigo Valadares (SE). Também houve movimentações para outras siglas, como a saída de Kim Kataguiri (SP), que migrou para o recém-criado Missão, ligado ao MBL.
Os dados consolidados das bancadas ainda devem ser divulgados oficialmente nos próximos dias, mas a tendência aponta para o fortalecimento do PL e a redução da representação do União Brasil. Outros partidos apresentaram variações menores: o PSD ganhou sete deputados e perdeu seis; o Podemos filiou sete e perdeu um; e o Republicanos ganhou três e perdeu cinco.
Entre as legendas que devem apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT não registrou alterações até o momento. Já Psol e PCdoB ganharam um deputado cada; a Rede Sustentabilidade teve saldo neutro; enquanto PSB e PDT perderam três e um parlamentar, respectivamente.
A estratégia de ampliar a bancada foi destacada pelo presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, que afirmou recentemente que a sigla deve superar a marca de 100 deputados após a janela partidária, consolidando-se como a maior força da Câmara.
Historicamente, o PL vem ampliando sua presença no Legislativo. Em 2018, ainda como PR, havia eleito 33 deputados. Já em 2022, conquistou a maior bancada da Câmara, com 99 parlamentares, número que tende a crescer ainda mais com as recentes migrações.
O avanço da legenda pode ter impactos diretos na governabilidade, especialmente em um cenário de reeleição presidencial. Caso mantenha sua liderança, o PL poderá influenciar de forma decisiva a tramitação de projetos no Congresso a partir de 2027, tornando o ambiente político mais desafiador para o Executivo.


