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Planalto vê erro em Jaques Wagner ao usar Lula como escudo após operação da PF

Auxiliares de Lula rejeitam uso do presidente como escudo e avaliam que situação do senador pode se tornar insustentável

Lula e Jaques Wagner (Foto: Agência Brasil | Agência Senado )
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247 - O Planalto vê desgaste crescente do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no caso Master e desaprovou a tentativa do senador de usar o presidente Lula como escudo político após a operação que apura suspeitas ligadas ao Banco Master. A informação foi publicada nesta quinta-feira (18) pelo jornal O Estado de S.Paulo

Auxiliares diretos do governo federal avaliam que a estratégia adotada por Wagner em entrevista à BandNews criou ruído no governo, porque o senador buscou demonstrar apoio total do presidente ao dizer que Lula não pretende tirá-lo da liderança do governo no Senado.

Integrantes do Palácio do Planalto afirmaram que a situação de Wagner caminha para um cenário difícil de sustentar. O principal argumento interno aponta uma contradição política: o governo não pode associar Flávio Bolsonaro (PL) ao rótulo de “Bolsomaster”, por causa das ligações dele com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e manter sem desgaste o líder no Senado após as descobertas da PF (Polícia Federal).

A irritação aumentou depois que Wagner relatou, na entrevista, uma frase atribuída ao presidente. Segundo o senador, Lula teria dito: “Fique firme; essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com minha confiança”.

De acordo com a apuração, Lula telefonou para Wagner nesta quinta-feira para demonstrar solidariedade. O presidente também pediu que o senador se defendesse publicamente e esclarecesse as acusações com rapidez.

A Operação Compliance Zero colocou Wagner sob pressão ao investigar suspeitas de que ele recebeu um imóvel de R$ 2,5 milhões, em Salvador, do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. A PF também apura pagamentos que teriam chegado ao senador como propina por meio de uma empresa ligada à sua nora.

Wagner negou as acusações na entrevista à BandNews. Ele afirmou que nunca recebeu dinheiro do Master e admitiu ter pedido a Augusto Lima que comprasse um apartamento, com a condição de recomprar o imóvel depois.

“Eu tinha interesse de dar, de ajudar a minha filha a comprar um apartamento desses”, afirmou o senador.

Em seguida, Wagner demonstrou proximidade com Augusto Lima ao chamá-lo pelo apelido e detalhou a versão apresentada na entrevista. “Como Guga, o Augusto Lima, é um investidor, eu disse a ele: ‘Você pode comprar? Depois eu vou recomprar’. Porque o apartamento está em construção e eu teria que vender o apartamento de minha filha para poder complementar o apartamento ou ela financiar”.

Três auxiliares de Lula não consideraram a explicação convincente. A avaliação interna reforça a preocupação do Planalto com o impacto político do caso e com a tentativa de vincular o presidente à defesa pessoal de Wagner.

O senador também explicou a origem dos US$ 55 mil e 33 mil euros que a PF encontrou em endereços ligados a ele. Segundo Wagner, os valores vieram de diárias pagas pelo Senado, declaradas e não usadas em missões internacionais.

Lula acompanhou a entrevista de Wagner à tarde, no Palácio da Alvorada, ao lado do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira. O presidente havia chegado a Brasília na madrugada desta quinta-feira, depois de viagem a Évian-les-Bains, na França, onde participou do G-7, grupo que reúne as sete maiores economias do mundo.

O discurso que o governo pretende adotar diante da crise passa pela defesa da autonomia da Polícia Federal. Segundo o Estadão, Lula deve sustentar que, sob seu comando, a corporação investiga qualquer pessoa, sem interferência política e sem proteção a aliados.

Nesse contexto, a fala de Wagner criou desconforto no Palácio do Planalto. Ao afirmar que Lula tratou as acusações como tentativa de desestabilizá-lo, o senador adotou um tom que não interessa ao governo em meio à pressão provocada pelo caso Master.

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