Polícia deflagra operação contra espionagem de autoridades no DF
Operação mira policial civil aposentado suspeito de consultar sistemas restritos para monitorar autoridades e empresários
247 - A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) realizou, na manhã desta segunda-feira (16), a Operação Nexus Fractus para investigar suspeitas de acesso irregular a bancos de dados institucionais usados para obter informações sobre autoridades, empresários e cidadãos do Distrito Federal. A ação foi conduzida pela Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCor), ligada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor), e cumpriu três mandados de busca e apreensão, informa Mirelle Pinheiro, do Metrópoles.
Segundo a investigação, uma empresa privada de investigação estaria utilizando dados possivelmente obtidos de forma irregular em sistemas restritos da administração pública para monitorar autoridades públicas e outras pessoas no DF. As apurações indicam que as consultas envolveriam informações sensíveis armazenadas em bancos de dados institucionais.
Durante o cumprimento das diligências, os investigadores identificaram indícios de participação de um policial civil aposentado. De acordo com a polícia, ele atualmente ocupa um cargo comissionado em uma empresa pública distrital e teria utilizado acessos institucionais para consultar informações sigilosas. Na residência do suspeito, os agentes encontraram um cofre contendo cerca de R$ 15 mil em dinheiro.
As investigações apontam que o policial aposentado possuía acesso a bases de dados institucionais, incluindo sistemas da própria Polícia Civil do Distrito Federal, por meio de um acordo de cooperação técnica. Esses acessos teriam sido utilizados para consultar informações cadastrais de empresários, policiais, jornalistas, servidores públicos e funcionários de gabinetes de parlamentares do Legislativo distrital e federal, além de integrantes do Executivo local.
De acordo com a apuração, familiares dessas autoridades e pessoas próximas também teriam sido alvo das consultas realizadas nos sistemas. A polícia investiga se os dados obtidos foram utilizados para fins particulares, possivelmente em benefício de uma empresa privada ligada ao investigado.
Os mandados de busca e apreensão executados nesta etapa da operação têm o objetivo de reunir novos elementos de prova, identificar a extensão das consultas realizadas e esclarecer qual foi o real propósito do uso dessas informações. A investigação também busca determinar se outras pessoas participaram das atividades investigadas.
Caso as suspeitas sejam confirmadas, os envolvidos podem responder por crimes como violação de sigilo funcional qualificado e invasão de dispositivo informático qualificado.
Em nota, a Polícia Civil do Distrito Federal afirmou que a operação reafirma o compromisso da instituição com a proteção de dados institucionais e com o combate ao uso indevido de informações públicas. O nome da operação, Nexus Fractus, deriva do latim e significa “conexão rompida”, em referência à possível quebra de confiança no acesso e na utilização de dados restritos da administração pública.


