Esquema na Receita cobrava R$ 250 por dados de ministros do STF
Funcionários terceirizados no Rio admitiram venda de declarações de IR e dados cadastrais de familiares de ministros do Supremo
247 - Dois funcionários terceirizados que atuavam em uma agência da Receita Federal no Rio de Janeiro confessaram ter comercializado declarações de Imposto de Renda (IR) dos advogados Viviane Barci de Moraes e Rodrigo Fux pelo valor de R$ 250 por CPF. A informação foi revelada nesta sexta-feira (27) pela coluna da jornalista Malu Gaspar.
Segundo a publicação, o esquema envolvia um vigilante terceirizado e um atendente cedido pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), que operavam a venda tanto de posições em filas de atendimento quanto de informações cadastrais de contribuintes. Do total cobrado por cada CPF, R$ 150 ficavam com o servidor e R$ 100 com o atendente.
As investigações apuram o vazamento de dados de familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com foco especial nos registros relacionados à esposa do ministro Alexandre de Moraes e ao filho do ministro Luiz Fux. A suspeita é de que informações sigilosas tenham sido acessadas e repassadas de forma irregular.
A Receita Federal informou que o funcionário cedido pelo Serpro foi devolvido à empresa pública e que foi instaurada uma representação na corregedoria para apuração administrativa. Já o vigilante foi encaminhado de volta à empresa terceirizada no último dia 20.
Os depoimentos dos envolvidos ocorreram na fase administrativa da investigação, após determinação do ministro Alexandre de Moraes para que fosse rastreado o acesso a dados cadastrais e declarações de imposto de renda de 140 pessoas, entre ministros do STF e seus familiares.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a realização de buscas e apreensões contra quatro servidores da Receita. Como medidas cautelares, todos passaram a usar tornozeleira eletrônica e tiveram os passaportes suspensos.
Além dos dois funcionários que atuavam no Rio de Janeiro, um auditor fiscal lotado em Presidente Prudente (SP), identificado como Ricardo Mansano de Moraes, admitiu ter consultado dados de uma enteada do ministro Gilmar Mendes. Ele declarou, no entanto, que não acessou a declaração de imposto de renda dela.
Outra servidora investigada, Ruth Machado dos Santos, que trabalha no Guarujá (SP), é apontada como responsável por acessar dados de Viviane Barci. Ela afirmou que realizava atendimento presencial na agência no momento em que o sistema registrou o acesso às informações da advogada com uso de sua senha.
As apurações indicam que Ruth teria consultado dados cadastrais como CPF, nome da mãe, data de nascimento e informações eleitorais em 21 de agosto de 2025. O caso segue sob investigação para esclarecer a extensão do esquema e eventuais responsabilidades administrativas e criminais.


