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Prisão domiciliar de Bolsonaro permite piscina, mas veta celular

Decisão do STF impõe restrições rígidas a comunicação e visitas enquanto ex-presidente cumpre 90 dias em casa após alta médica

Jair Bolsonaro chega à casa onde cumpre pena em prisão domiciliar (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O ex-presidente Jair Bolsonaro voltará a cumprir prisão domiciliar por 90 dias após receber alta hospitalar, conforme decisão judicial recente. As regras incluem desde limitações severas ao uso de meios de comunicação até autorização para atividades dentro da residência, como o uso da piscina. As informações foram divulgadas pelo jornal Valor Econômico.

A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e estabelece condições específicas para o cumprimento da pena em casa, localizada em um condomínio de alto padrão em Brasília. A decisão ocorre após internação do ex-presidente por broncopneumonia bacteriana.

De acordo com o advogado criminalista Rafael Valentini, a legislação não restringe o uso das dependências internas da residência durante a prisão domiciliar. “A lei não tem nenhum tipo de restrição com relação ao que pode ser feito em termos de uso dentro do domicílio da pessoa”, afirmou. Ele acrescentou que estruturas como piscina e sauna podem ser utilizadas normalmente, por integrarem o espaço doméstico.

No campo do entretenimento, serviços de streaming, como a Netflix, são considerados permitidos, desde que não envolvam interação social. Segundo Valentini, o consumo de conteúdo audiovisual não se caracteriza, em princípio, como comunicação.

Por outro lado, a decisão do STF impõe restrições rigorosas ao uso de tecnologia. O uso de celulares, redes sociais e a realização de gravações estão proibidos. “Celulares e redes sociais estão expressamente proibidos. A decisão impede o uso do telefone, o que, no rigor do texto, inviabiliza o acesso a qualquer tipo de plataforma por meio do aparelho”, explicou o advogado.

As visitas também foram limitadas. Familiares que residem no imóvel têm acesso irrestrito, enquanto parentes que vivem fora, como os filhos do ex-presidente, só podem visitá-lo em dias e horários específicos ao longo da semana. Advogados estão autorizados a realizar atendimentos diários, mediante agendamento prévio, com duração máxima de 30 minutos por encontro.

A decisão ainda prevê acompanhamento médico contínuo, com liberdade de acesso para profissionais de saúde designados, além de sessões regulares de fisioterapia em dias determinados.

Para garantir o cumprimento das regras, foi estabelecido um sistema de monitoramento reforçado. Além do uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, a Polícia Militar realizará rondas periódicas na residência. Visitantes autorizados deverão passar por inspeções e não poderão portar aparelhos eletrônicos durante as visitas.

Segundo Valentini, a combinação de monitoramento eletrônico com fiscalização presencial demonstra cautela adicional por parte da Justiça. Ele destaca que o descumprimento de qualquer das condições pode levar à revogação imediata da prisão domiciliar e ao retorno do ex-presidente ao sistema prisional.

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