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Projeto para capitalizar o BRB passa na CLDF e abre caminho para empréstimo de até R$ 6,6 bilhões

Votação apertada expõe divisão política, pressão de bancários e disputa sobre como enfrentar o risco de colapso do banco após negócios com o Banco Master

Sede do BRB em Brasília - 01/04/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 – A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou, em dois turnos, o projeto de lei que autoriza medidas para capitalizar o Banco de Brasília (BRB), em sessão realizada na terça-feira, 3 de março de 2026, com 14 votos a favor e 10 contra, após quase cinco horas de debates.

A informação foi publicada na coluna Grande Angular, do portal Metrópoles, e detalha a tramitação acelerada do PL nº 2175/2026, enviado pelo Governo do Distrito Federal (GDF) há cerca de uma semana, em meio ao alerta do comando do banco sobre risco imediato de interrupção das operações.

O que a CLDF aprovou e por que o BRB entrou no centro da crise

O texto aprovado estabelece instrumentos para que o GDF, na condição de acionista majoritário, promova o “restabelecimento e fortalecimento das condições econômico-financeiras do BRB”. O ponto mais sensível da proposta é a autorização para o Distrito Federal obter empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ou outras instituições.

Além do endividamento, o projeto também permite a integralização de capital social, aportes patrimoniais e “outras formas juridicamente admitidas” de reforço patrimonial, inclusive com bens móveis e imóveis. Outra permissão é a alienação prévia de bens públicos para que o produto das vendas seja destinado ao reforço do patrimônio do banco.

No debate político, o pano de fundo foi associado aos prejuízos atribuídos a negócios com o Banco Master. Segundo o relato, foram listados nove imóveis públicos com o objetivo de cobrir perdas relacionadas a essas operações. Os terrenos pertencem a estatais ligadas ao GDF, como Terracap, CEB e Caesb.

O alerta do presidente do BRB e a pressão sobre os deputados

Na segunda-feira, 2 de março de 2026, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, conversou por quase 12 horas com deputados distritais para apresentar o quadro do banco. De acordo com o relato, o gestor afirmou que a instituição corre risco de “parar de funcionar” sem um aporte.

A fala foi usada por parlamentares da base do governo como justificativa para acelerar a votação e tratar o projeto como uma decisão de emergência. Já na oposição e em parte do plenário, a crítica se concentrou na falta de documentação e na discordância sobre o desenho do socorro, especialmente quando envolve patrimônio público e impacto em outras estatais do DF.

Quem votou a favor e quem votou contra

Votaram a favor: Daniel Donizete (MDB), Doutora Jane (MDB), Eduardo Pedrosa (União), Hermeto (MDB), Iolando (MDB), Jaqueline Silva (MDB), Joaquim Roriz Neto (PL), Jorge Vianna (PSD), Martins Machado (Republicanos), Pastor Daniel de Castro (PP), Pepa (PP), Roosevelt Vilela (PL), Wellington Luiz (MDB).

Votaram contra: Fábio Felix (PSol), Max Maciel (PSol), Dayse Amarílio (PSB), Chico Vigilante (PT), Gabriel Magno (PT), Ricardo Vale (PT), Paula Belmonte (PSDB), Rogério Morro da Cruz (PRD), Thiago Manzoni (PL), João Cardoso (Avante).

A distribuição dos votos evidencia uma coalizão governista sustentando o texto, com dissidências e críticas cruzadas dentro do próprio plenário, inclusive de parlamentares que, em outros temas, costumam atuar próximos ao Executivo.

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