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PSD articula sucessão no Ministério da Agricultura diante da saída prevista de Carlos Fávaro

Nome de André de Paula, ministro da Pesca e Aquicultura, foi levado ao presidente Lula, enquanto governo ainda avalia nomes para a pasta

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

247 - O Partido Social Democrático intensificou articulações internas para influenciar a sucessão no Ministério da Agricultura diante da saída já definida de Carlos Fávaro (PSD-MT), prevista para abril. Segundo a CNN Brasil, a legenda busca preservar o comando da pasta em meio ao redesenho político esperado na Esplanada, resultante das eleições deste ano. Entre as alternativas discutidas inicialmente está o nome do ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula (PSD-PE), cujo nome teria sido mencionado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em declaração, André de Paula negou qualquer movimentação para assumir a Agricultura e afirmou que permanecerá no governo. "Não procede. O que é certo é que decidi permanecer no governo e não disputar as próximas eleições. Tudo mais é especulação", afirmou o ministro.

Possíveis sucessores têm planos eleitorais

O impasse ocorre porque possíveis sucessores naturais ligados ao PSD também têm planos eleitorais, o que pode limitar suas permanências na estrutura do ministério. Entre os nomes citados está o secretário-executivo da Agricultura, Irajá Lacerda, que pretende disputar as eleições deste ano e deve deixar o cargo no mesmo período em que Fávaro sair da pasta. Outro nome é o do ex-deputado federal Guilherme Campos, que atualmente atua na Secretaria de Política Agrícola e também deve deixar a função para disputar as eleições estaduais em São Paulo.

Dentro do próprio ministério, interlocutores citam com frequência o nome de Carlos Augustin, assessor especial de Fávaro e um dos responsáveis pela articulação de programas estratégicos da atual gestão, incluindo iniciativas ligadas à recuperação de áreas degradadas e ampliação do crédito rural. Conhecido como Teti, ele também é filiado ao Partido dos Trabalhadores e já disputou eleições estaduais em Mato Grosso.

Augustin é visto como um quadro com capacidade de dar continuidade às políticas já implementadas e possui trânsito entre técnicos da pasta e parte da bancada ruralista. Empresário do setor de sementes, ele mantém ligação histórica com entidades do agronegócio e preside o conselho de administração da Embrapa.

Apesar do peso técnico de alguns nomes, integrantes do governo avaliam que a definição dificilmente será exclusivamente técnica e dependerá do arranjo político que o Palácio do Planalto pretende consolidar na reforma ministerial. O PSD pressiona para manter o controle da Agricultura e busca participar diretamente da definição do sucessor, enquanto Fávaro defende a manutenção das diretrizes adotadas durante sua gestão.

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