Requerimento da CPMI do Master já tem assinaturas de quase 200 deputados e 34 senadores
A iniciativa deve ser formalizada com a abertura da sessão legislativa de 2026, marcada para 2 de fevereiro
247 - O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) prepara o protocolo de um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar denúncias de fraudes financeiras atribuídas ao Banco Master. A iniciativa deve ser formalizada com a abertura da sessão legislativa de 2026, marcada para 2 de fevereiro, e ocorre em meio ao avanço de apurações criminais sobre o caso.
De acordo com informações publicadas nesta terça-feira (6) pelo jornal O estado de S.Paulo, interlocutores de Jordy afirmaram que 232 parlamentares - 198 deputados e 34 senadores - assinaram o documento. A abertura da CPMI não ocorre de forma automática. O senador Davi Alcolumbre (União-AP) precisa ler o requerimento em uma sessão do Congresso Nacional para o início dos trabalhos da comissão.
De acordo com o texto do pedido, a comissão terá como foco a apuração de supostas fraudes financeiras atribuídas ao Banco Master, com prejuízos estimados em mais de R$ 12,2 bilhões. O documento também aponta a necessidade de investigar tentativas de transferência desses passivos para instituições financeiras públicas ou sob controle estatal, com destaque para o Banco Regional de Brasília (BRB).
O requerimento amplia o escopo da investigação ao mencionar a possível participação, omissão ou interferência de agentes públicos, autoridades regulatórias e integrantes de diferentes Poderes da República. Entre os pontos listados, está a apuração de eventuais conexões entre gestores privados, intermediários financeiros e autoridades, incluindo um contrato firmado entre o banco liquidado e a esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O texto ainda cita supostas “interlocuções” entre o ministro Alexandre de Moraes e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, além de mencionar uma viagem do ministro Dias Toffoli à final da Copa Libertadores da América em aeronave privada, ao lado do advogado Augusto Botelho.
Ao justificar a criação da CPMI, Carlos Jordy argumenta que as investigações criminais em andamento não abrangem todos os aspectos relevantes do caso. Segundo o deputado, elas não seriam “suficientes” para tratar de “responsabilidades políticas e institucionais, falhas sistêmicas de regulação e supervisão, impactos econômicos de alcance nacional, e a necessidade de aperfeiçoamento legislativo para prevenir a reincidência de fraudes”.
Com a leitura do requerimento ainda pendente, a eventual instalação da comissão dependerá do calendário do Congresso e da condução política do tema, que envolve o sistema financeiro, órgãos reguladores e autoridades de alto escalão.



